
Malacoda – “Restless Hearts” (2018)
Rockshots Records
#DoomMetal, #DarkMetal
Para fãs de Paradise Lost, Katatonia
Nota: 7,5
Pegando carona entre um emocore e o doom, os canadenses do Malacoda criaram em “Restless Hearts” uma atmosfera bastante carregada, com timbres sombrios tanto de voz quanto de guitarra, que têm lá seus bons momentos. O grupo esbarra, porém, em atirar para todos os lados quando se trata de definir uma sonoridade. Na segunda metade do disco, a coisa estabiliza e vemos uma boa coleção de riffs pesados com alternância de vocal limpo e gutural. Porém, faltou um pouco de criatividade.
Se “I Got A Letter” envereda para o gutural e riffs mais pesados, “Doppleganger” já traz o lado mais balada. Essa tônica faz com que o disco possa ser bem apreciado pelos entusiastas de uma música mais viajada e também por alguém inclinado ao peso dos riffs. O vocalista Lucas Di Mascio consegue alternar bem os timbres, apresentando um bom trabalho no lado clean, como em “The Labirynth Within”. Fica claro que a banda tem um certo potencial e que essa sonoridade funciona, mas falta caprichar mais na composição.
A modernidade também dá as caras em “Restless Hearts”. Na segunda metade do disco, “Dominance” traz uma roupagem atual, com vocal gutural e um arranjo que alterna riffs agudos com breakdowns, numa vibe quase djent. Nessa música, vale ressaltar o trabalho do baterista Vladimir Prokhorov que engrandeceu a música com viradas precisas.
Entre erros e acertos, falta uma certa identidade ao Malacoda. As músicas definitivamente não têm uma espinha dorsal que as una. Mesmo bandas de progressivo onde o “vale tudo” impera, temos uma certa coesão, pelo menos em álbuns clássicos. Por isso mesmo, é difícil julgar o trabalho da banda, mas com certeza não se trata de algo descartável.
Gustavo Maiato





