
Mantas – “Winds of Change” (1988)
Neat Records | Cult Metal Classics
#HardRock, #HeavyMetal
Para fãs de: Venom Inc, Tytan, Glasgow
Nota: 6,5
As definições de “tão ruim que é bom” foram atualizadas. O primeiro álbum solo do ex-guitarrista do Venom não poderia soar menos Venom. Inventor do speed metal e arquiteto do álbum que deu nome a uma vertente do som pesado – a saber, o clássico “Black Metal”, de 1982 –, Mantas apresenta, em “Winds of Change”, um lado seu que os puristas preferem acreditar que nunca existiu; mas que ainda bem que existiu.
Como se seu objetivo fosse provar por A mais B que era capaz de tocar de maneira mais melódica – e assim mostrar ao mundo o bom músico que havia por trás do barulho infernal dos primeiros trabalhos do Venom –, Mantas mergulha de cabeça num AOR de contornos ásperos, inundado de teclados e produzido conforme uma estética hoje mormente datada, mas, de certa forma, fiel à cartilha do heavy tradicional; sobretudo no galope das bases e na bateria programada que às vezes soa como o Rambo ensandecido descarregando um cinturão de balas após o outro na fuça do exército inimigo.
Para acompanhá-lo na empreitada, Mantas, que toca todos os instrumentos, traz o vocalista Pete Harrison, cuja carreira como cantor de rock se resume a esse disco, e o produtor Keith Nichol, que fez história na Neat Records, gravadora seminal da New Wave of British Heavy Metal, aqui, também responsável pela programação da bateria e por teclados adicionais. O saldo, no fim das contas, até que é positivo, aceitável, curioso. Longe de ser essencial, porém. Em se tratando do sr. Jeff Dunn, prefira-o em conluio com Satã, não com o spray de cabelo.
Fora de catálogo há milênios, “Winds of Change” teve reedição em CD limitada em 500 cópias pelo selo grego Cult Metal Classics trazendo encarte com letras e fotos e três bonus tracks oriundas do single “Deceiver” – incluindo um cover de “The Green Manalishi (With The Two-Pronged Crown)”, original do Fleetwood Mac, amplamente conhecida no meio metal graças à versão do Judas Priest –, que conta com um tal de Tony Dolan no baixo. O resto é história.
Marcelo Vieira





