Marianas Rest – “Fata Morgana” (2021)

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Marianas Rest“Fata Morgana” (2021)
Napalm Records
#MelodicDeathDoomMetal

Para fãs de: Insomnium, Décembre Noir, My Dying Bride, Red Moon Architect

 

Nota: 9,0

Passagens épicas, atmosferas enegrecidas, carregadas de desespero, de melancolia, ira e desolação. “Fata Morgana” apresenta-se como um bioma musical frio e inóspito, com uma beleza que se traduz em declives e em panoramas que se abrem aos olhos e dizem: “a felicidade é apenas um intervalo na respiração trágica e pesada do mundo.” Enfim, o sexteto finlandês Marianas Rest entrega ao mundo o seu terceiro evangelho sonoro, o ominoso e já citado, “Fata Morgana”; disco que disserta tanto sobre sua maturidade quanto sobre a qualidade alcançada pelos mesmos; que uma vez mais se revela sem oscilações. Ao longo de oito temas que variam de médio a longo tempo somos confrontados por uma escrita musical inteligente, harmoniosa e elegante. Sua lírica também é atrativa, pois é permeada por atributos poéticos/filosóficos que, vez ou outra cede espaço à dissonância da atualidade.

O repertório se equiparado ao conteúdo de seus sucessores: “Horror Vacui” (2016) e “Ruins” (2019), não apresenta grandes variações, sejam elas estruturais ou na forma como as faixas foram dispostas no álbum. Os elementos e dinâmicas que sustentam o apanhado são por vezes óbvios e um tanto reciclados, seja pelo próprio Marianas Rest ou por seus compatrícios do Insomnium e Swallow The Sun. Na verdade, a banda não demonstra ter a necessidade de criar uma identidade por lançamento, mas sim, de atualizar e reafirmar sua própria assinatura.

Ostentando peso, desespero e ornamentos melódicos criados tanto pelas guitarras quanto pelos teclados; “Sacrificial” lança-nos aos mares profundos do disco, sua sucessora, “Glow From The Edge”, cujo clipe é belíssimo, mantém a tônica, porém, com mais elegância e alternando entre passagens reflexivas e intensas. “Pointless Tale” é mais enérgica e compacta, suas transições preparam o terreno para a épica, “The Weight” (os vocais de Lindsay Schoolcraft — Antiqva, ex-Cradle Of Filth; somam uma beleza etérea à composição).

“Advent Of Nihilism” e “South Of Vostok” acenam ao fim do álbum — e tudo que ouvimos anteriormente, marca presença em ambas: os vocais fortes e profundos de Jaakko Mäntymaa; os teclados em trilhas atmosféricas por vezes discretas, mas percebíveis; o desenvolver seguro das linhas de bateria de Nico Heininen; a melancolia pungente das inserções de celo e a cumplicidade dos guitarristas Nico Mänttäri e Harri Sunila (há uma naturalidade surreal na maneira como eles se completam e como registram suas personalidades nas composições).

“Fata Morgana” é um trabalho profundo, doloroso e dotado de uma verdade crua, vestida por melodias que atingem e perfuram os órgãos vitais invisíveis da alma. Muitas bandas usam a melancolia como um artifício em suas construções, mas poucas conseguem torná-la em monumento. O Marianas Rest consegue.

Fábio Miloch

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