
Artista principal: Martin Barre
Local: Vivo Rio, Rio de Janeiro/RJ
Data: 08/03/2020
Produção: Vega Concerts
Texto por Marcelo Vieira
Fotos por Diogo Vasconcellos
“Não é Jethro Tull, a menos que eu esteja envolvido”, disse Ian Anderson através de um comunicado à imprensa no mês passado. Não que fosse necessário dirimir qualquer dúvida, mas beleza. Isso não impede, no entanto, que músicos que fizeram parte das mais de cinco décadas da banda coloquem seus próprios shows-tributo na estrada, como é o caso de Martin Barre. Na condição de segundo membro mais importante da história do Tull, o guitarrista riu na cara do coronavírus e desembarcou no Brasil para celebrar a arte de sua coautoria. Inicialmente, a turnê prevista para cinco capitais contaria com a presença de outro ex-integrante das antigas, Barriemore Barlow, mas, faltando pouco mais de um mês para o início do giro, fomos surpreendidos com a notícia de que o baterista — conhecido pelo público mais heavy metal por ter tocado na bíblia do shred guitar “Yngwie J. Malmsteen’s Rising Force” (1984) —, por motivos de saúde, não poderia comparecer. A compensação pelo inconveniente veio com a confirmação da presença de outro integrante das antigas, a tecladista Dee Palmer. Completam a banda que acompanha Barre no giro o tecladista — e filho do Rick — Adam Wakeman (Ozzy Osbourne), o vocalista e guitarrista Dan Crisp, o baixista Alan Thomson e o baterista Darby Todd.
“Eu sou baixinho e meu nome é Martin”, dirige-se o guitarrista na primeira das poucas vezes em que conversaria com o público nas duas horas seguintes. Após a sequência de abertura com “A Song for Jeffrey” e “My Sunday Feeling” — ambas de “This Was” (1968), álbum de estreia do Tull do qual Barre não participa —, teve início, de fato, a celebração, começando pelo “álbum que nos fez estourar nos Estados Unidos e além”. É claro que Martin está se referindo a “Stand Up” (1969), e é dele que vem a trinca seguinte: “Back to the Family”, “For a Thousand Mothers” e “Nothing Is Easy”, essa última carregada de improvisações. A falta de que a flauta faz é compensada com dose dupla de guitarras — Crisp até toca alguns solos aqui e ali — e com os teclados num volume que às vezes solapava todos os demais instrumentos. Imagens de arquivo nos telões laterais relembram a época em que Barre tinha cabelo e optava por guitarras modelo Les Paul da Gibson. Sua escolha de arma, atualmente e há um tempinho já, é a PRS, previamente aprovada por nomes como Carlos Santana e Mark Tremonti.
Quando “To Cry You a Song” (de “Benefit” [1970]) revela-se a próxima no repertório, é confirmada a impressão de visita guiada à galeria de clássicos da banda em ordem cronológica. Houve eventuais desvios de trajeto, no entanto, como “War Child” e “Sealion”, ambas de 1974, dando as caras antes da fatia “The Poet and the Painter”, do conceitual “Thick as a Brick” (1972). E se “A Passion Play” (1973) e “Minstrel in the Gallery” (1975) foram totalmente ignorados, o petardo supremo “Aqualung” (1971) compareceu com nada menos que quatro músicas, incluindo a faixa título, destinada a acordar o público contemplativo e, até então, afundado em suas cadeiras e movido a comes e bebes que não são para o bolso de qualquer um, e também para dar uma pausa no vaivém de garçons, que contribui para a atmosfera de churrascaria rodízio tão dessintonizada com a música que vem do palco.
“Heavy Horses” e “Songs from the Wood” bateram cartão tocadas como um medley, e dois vislumbres dos primórdios — “Teacher” e “A New Day Yesterday” — abriram caminho para “Jump Start”, a última do tempo regulamentar e o carro-chefe do polêmico — mesmo entre os fãs — “Crest of a Knave” (1987), que, dois anos após o seu lançamento, desbancou AC/DC e Metallica faturando o Grammy de Melhor Álbum de Hard Rock ou Heavy Metal num dos maiores absurdos da história da música. O bis ficou por conta de “Locomotive Breath”. Houve até quem se levantasse de suas cadeiras nesse momento, veja só você. Nos acréscimos, quem diria, o “Too Young to Die” falou mais alto que o “Too Old to Rock ‘n’ Roll”. “Eu voltarei, vocês querendo ou não”, prometeu o guitarrista. Queremos? Pode apostar que sim! Mas sem mesinhas, por favor!
O Metal Na Lata agradece à assessoria de imprensa do Vivo Rio pelo credenciamento e pela parceria.
Setlist:
A Song for Jeffrey
My Sunday Feeling
Back to the Family
For a Thousand Mothers
Nothing Is Easy
To Cry You a Song
Hymn 43
Aqualung
War Child
Sealion
Cross-Eyed Mary
Heavy Horses / Songs From the Wood
Hunting Girl
Thick as a Brick (‘The Poet and the Painter’)
Teacher
A New Day Yesterday
Jump Start
Locomotive Breath

























