METALLICA – Fiergs, Porto Alegre/RS (05/05/2022)

METALLICA_portoalegre_2022
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Banda Principal: Metallica
Bandas de abertura: Ego Kill Talent Greta Van Fleet
Local: Estacionamento da Fiergs, Porto Alegre/RS
Data: 05/05/2022
Produção: Live Nation
Assessoria: Cátia Tedesco (Agência Cigana)

Textos por Sergiomar Menezes (Introdução e Metallica) e Diogo Nunes (Ego Kill Talent e Greta Van Fleet)
Fotos por Diogo Nunes 

Depois de 12 anos, era chagado o momento do retorno de um uma das maiores bandas de Heavy Metal de todos os tempos. Sim! Ainda que existam detratores por aí, o fato é que o METALLICA ainda é uma das maiores bandas do estilo! E um dos fatos que comprovam isso é que o show que foi reagendado por duas vezes, levou ao Estacionamento da Fiergs 40 mil pessoas. Claro, você pode dizer que nem todos ali eram fãs da fase áurea da banda mas… não é melhor saudar que um grupo de metal levou um público assim a um show do que lamentar que o estilo está “morrendo” e não angariando novos fãs? Pois bem, este que vos escreve prefere ficar com a primeira opção. Além do mais, pude assistir o grupo uma única vez, lá no longínquo ano de 1999. E confesso que foi um show bem abaixo das minhas expectativas… e depois de perder a passagem da banda por porto Alegre em 2010, prometi a mim mesmo que o Metallica me devia um show decente, afinal, estamos falando de uma das bandas do coração deste redator (a saber, as outras são o Kiss, o Iron Maiden, Ramones e o Aerosmith). Sendo assim, posso garantir que o grupo se “redimiu” (risos) do que apresentou há mais de 20 anos atrás. Coincidência ou não, em 1999, um espaço de 10 dias separou os shows do Kiss e do Metallica na capital dos gaúchos…

Mas, nem tudo são flores e infelizmente por questões de logística (leia-se local do show, dia de semana, horário do rush, trânsito mais do que engarrafado), perdi as apresentações das bandas de abertura, pois acabei chegando às 20h10, faltando 20 minutos para encerrar o credenciamento. Uma pena, pois estava muito a fim de assistir ao show do Greta Van Fleet, a qual, curto muito os álbuns de estúdio. Só que o Metal Na Lata não deixará seus leitores sem saber como foram os shows e traz as impressões do nosso fotógrafo Diogo Nunes sobre as bandas de abertura.

EGO KILL TALENT:

O Ego Kill Talent , banda construída com músicos que já tem “cancha” no cenário brasileiro da música, formada por integrantes que já integraram Udora, Sepultura, Reação em Cadeia e Sayowa, eles já conseguiram uma visibilidade no exterior e com álbuns bem aceitos na mídia, nesta noite de maio abriam para uma das maiores bandas da história do Heavy Metal, vamos ao show, a banda demostra a experiência adquirida pela estrada de seus integrantes no palco, ponto a se destacar o vocalista Jonathan Dörr, pela voz e buscando interagir junto ao público, os outros integrantes são Theo Van Der Loo (guitarra e baixo), Jean Dolabella (bateria e guitarra), Raphael Miranda (bateria, baixo e guitarra) e Niper Boaventura (guitarra e baixo) a banda visivelmente e não seria diferente para quem estavam abrindo, todos estavam empolgados e buscaram trazer a plateia para eles e mostrar a qualidade do grupo, deixaram tudo no palco é uma banda interessante para se acompanhar e como será o futuro.

Setlist Ego Kill Talent:

Now!
Sublimated
We All
The Call
Heroes, Kings And Gods
Lifeporn
Last Ride


GRETA VAN FLEET:

O Greta Van Fleet é composto por uma formação jovem e de muita qualidade com Josh Kiszka (vocal), Jake Kiszka (guitarra), Sam Kiszka (baixo) e Daniel Wagner (baterista). No palco, vieram a Porto Alegre para dar seu recado, e ao observar o público pude constar que a banda estava sendo bem aguardada, o que já demonstra um interesse relevante na cena. Sua presença de palco, instrumental, vocais, e postura são pontos positivos a se destacar, mas toda banda tem sua influência e se guia por ela até adquirir sua sonoridade própria. O caso aqui é gritante. Quem não conhece Led Zeppelin, vai se surpreender, porém, se já conhecer e notar todos os trejeitos dos integrantes, telão com símbolos, roupas, vocalista com agudos e gritos bem no estilo Robert Plant, te levam em questão de segundos e mesmo que não queira à banda britânica. É algo negativo ser comparado a uma das bandas mais icônicas da história da música? Não, só que eles podem e provavelmente – ao meu ver – conseguem demonstrar mais qualidade para serem originais do que simplesmente uma cópia qualquer.

Setlist Greta Van Fleet:

Built by Nations
Black Smoke Rising
Caravel
Lover, Leaver (Taker, Believer)
That’s All Right
My Way, Soon
The Weight of Dreams


METALLICA:

Não é preciso dizer que após o término da apresentação do Greta Van Fleet a ansiedade tomou conto de todos. Cada música finalizada no som mecânico dava a impressão de que o grupo subiria no palco a qualquer momento. No entanto, passado das 21h (o horário estipulado para o show), começou a ecoar nos PA’s “It’s a Long Way to the Top (If You Wanna Rock N’ Roll)”, clássico absoluto do AC/DC e isso fez com que aquela ansiedade chegasse ao fim, uma vez que a faixa vem sendo utilizada pela banda antes de adentrarem ao palco. Em seguida, “The Ecstasy Of Gold”, de Enio Morricone, outro clássico, dessa vez eternizado nos filmes de faroeste, começa a tocar, enquanto no telão surgem imagens do filme “Três Homens em Conflito”, para em seguida, James Hetfield (vocal/guitarra), Kirk Hammet (guitarra), Robert Trujillo (baixo/backing vocal) e Lars Ulrich (bateria) tomarem de assalto Porto Alegre ao som de “Whiplash”, faixa do álbum de estreia da banda, “Kill’em All” (1983). Agora, algo precisa ser dito: é inadmissível que com toda estrutura de palco, sistema de luzes e som disponíveis, uma banda como o Metallica abra seu set com o som embolado! Baixo e bateria pareciam um só durante a execução da faixa e isso foi percebido pela banda logo de cara, ainda mais na expressão de Hetfield na hora do solo.

Felizmente, em “Ride the Lightning”, faixa título do melhor álbum do grupo na minha opinião, lançado em 1984, as coisas melhoram e muito! Mas, confesso que achei a performance um pouco mais lenta do que a original, o que se por um lado tirou um pouco daquela energia vibrante da composição, por outro, deu uma dose extra de peso a esse clássico totalmente atemporal. Antes do show, dei uma verificada na internet com relação ao setlist que a banda vinha executando e vi que a enfadonha “The Memory Remains” vinha sendo tocada pelo grupo. Para minha sorte e acredito que de todos os presentes, eles a deixaram de lado e trouxeram algumas surpresas para os gaúchos. E uma delas foi “Harvester of Sorrow”, faixa de “… And Justice for All” (1988). Pesada, cadenciada e com sua aura “anos 80” a música resgatou momentos únicos na vida de cada headbanger que viveu aquela época e viu o METALLICA crescer nesse período. Cabe ressaltar que, o que se viu no palco foi uma banda despreocupada, sem aquela intenção de parecer ou soar “troo” ou malvada. Enquanto Hetfield a todo momento se comunicava com o público, Kirk circulava pelo palco de forma despretensiosa, fazendo uso do seu Wah Wah como sempre fez (risos).

Outra surpresa que deixou o setlist ainda mais interessante foi a execução de “No Remorse”, outra faixa do álbum de estreia, que fez muito marmanjo se olhar e soltar o famoso “Puta que pariu”! Ainda que tenham ocorrido pequenos problemas técnicos, esse foi um dos momentos mágicos e inesperados do show. E tomem mais velharia com “Seek & Destroy”, mais um clássico presente no álbum de estreia do grupo. Hetfield puxou o coro de “Hello Porrrto Alegrooo”, e pediu para todos cantarem o refrão. Não é preciso dizer que foi atendido e até mesmo surpreendido. A pirotecnia começou a ser exibida em grandes proporções antes mesmo de “One”, música que fez com que o Metallica começasse a ser amado por muitos e odiado por tantos outros. Como esquecer da famosa frase “Nunca vamos gravar um clipe”? E lembrar que esta música foi escolhida para ser o primeiro vídeo do grupo? Mas, brincadeiras a parte, o que se viu foi um verdadeiro espetáculo de som e luz, com fogos devidamente sincronizados, trazendo ao público os primeiros momentos de “calor” (tantos outros viriam ainda).

“Sad But True”, presente em Metallica (1991), também conhecido como “Black Album”, veio trazer um pouco do Metallica que rompeu as barreiras do heavy metal, atingindo vendas expressivas e levando a música pesada para outro tipo de público. Se para muitos isso foi um sinal de que a banda estava se vendendo, para outros e para ela mesma, significou a subida de nível, mostrando que não é preciso ficar recluso ao underground ou não ser comercial para ser verdadeiro. E a pirotecnia voltou com tudo em “Moth Into Flame”, de “Hardwired… to Self-Destruct” (2016). Fogo e mais fogo durante toda a execução da faixa, que contou com um artefato que ficou circulando durante todo o tempo atrás da bateria de Lars, com uma chama bastante perceptível. Fico imaginando o calor que o dinamarquês não sentiu nesse momento. Aliás, tratou-se de uma boa escolha, visto que essa é uma das melhores faixas do já citado álbum. “The Unforgiven” veio para dar uma acalmada nos ânimos e mostrar o lado mais melódico e comercial da banda. Presente no álbum lançado em 1991, a composição possui belas harmonias. Na sequencia tivemos “For Whom The Bell Tolls” e o que dizer sobre essa faixa que ainda não foi dita? Trujillo teve seu momento de destaque aqui, mostrando que além de ser um excelente baixista (algo que todo fã de música pesada está cansado de saber), soube respeitar as imortais linhas criadas pelo saudoso Cliff Burton.

Era o momento do fogo retornar em grande estilo e para isso “Fuel”, faixa de “Reload” (1997) veio mostrar sua força. Ainda que a composição não seja daquelas que explicitem todo o poderio musical da banda, ela possui uma energia e, contando com o jogo de luzes e efeitos pirotécnicos, transformou-se em um dos grandes momentos do show. Então, mais uma bela surpresa veio com “Welcome Home (Sanitarium)”, de “Master Of Puppets” (1986) e uma das prediletas desse que vos escreve. Sua execução trouxe o peso necessário e mostrou que o grupo tem, ao vivo, algo que falta em muita banda hoje em dia: garra e disposição! Hetfield ainda é um dos melhores guitarristas, e porquê não dizer, ainda que a idade esteja chegando, vocalistas do Heavy Metal? É necessário dizer que o vocalista abandonou, um pouco é verdade, aqueles “yeah” ao final de cada frase, o que fez com que sua performance melhorasse muito, deixando visível e nítida sua capacidade vocal. “Master of Puppets”, faixa título do supracitado álbum, pôs fogo (dessa vez no público), com uma performance matadora, encerrando a primeira parte do show.  A banda se despede dando um adeus mais falso que nota de R$ 3,00 para em seguida voltar chutando tudo e todos!

E voltou com “Blackened”! Porrada na orelha, como diria um grande amigo meu! A faixa que abre “…And Justice For All”, provou que não envelheceu, ou como diria um suposto crítico musical, envelheceu muito bem (risos). O problema é que na sequência, tivemos “Nothing Else Matters”. Ainda que a faixa, presente em “Metallica”, seja uma das mais conhecidas do público, digamos assim, não metal, ela poderia ter sido substituída por “Fade to Black” se a questão era tocar uma balada. Mas, o público curtiu e para ser sincero, isso é o que realmente importa. Então, o momento final era chegado. “Enter Sandman”, faixa arrasa quarteirão, fez todos que ainda tinham coluna, pularem e cantarem junto com a banda. No encerramento, uma bela explosão de fogos pôs fim ao show do grupo, que, me arrisco a dizer, foi o melhor da banda em terras gaúchas.

Está certo que muitos usam o Metallica como exemplo de banda que se vendeu, que adotou um visual que nada tem a ver com o metal (acreditem, eu ouvi na saída do show um cara reclamando da cor da bateria do Lars). Respeito e entendo a posição de cada um. Mas é INEGÁVEL que o METALLICA continua sendo uma das maiores bandas de Heavy Metal de todos os tempos. E, fiquem tranquilos James, Kirk, Trujillo e Lars, vocês ‘me pagaram’ o show que estavam me devendo.

Mas, que fique mais uma vez registrado: o local escolhido para o show é muito ruim. Ainda mais se levarmos em consideração o fato de ser um dia útil, no horário de pico do movimento, além da localização. Tenho certeza que todos saíram satisfeitos com o show, mas um tanto quanto decepcionados com o local, pois pelo que li e ouvi de alguns amigos, dependendo de onde se estava, o som não tinha a mesma qualidade. Claro que em local aberto isso sempre acontece, mas na Fiergs parece ser em uma maior proporção.

Fica aqui o agradecimento ao Metal Na Lata por mais essa cobertura, ao meu brother Diogo Nunes, que dessa vez, além de caprichar nas fotos (como sempre), mesmo sem um local definido e apropriado para fazer seu trabalho, ainda deu uma palhinha como redator, à Catia Tedesco e Agência Cigana pela assessoria/credenciamento e compreensão com o horário da minha chegada e a Live Nation, por proporcionar aos gaúchos este grande show de HEAVY METAL!

Setlist Metallica:

The Ecstasy Of Gold
Whiplash
Ride the Lightning
Harvester Of Sorrow
Seek & Destroy
No Remorse
One
Sad But True
Moth Into Flame
The Unforgiven
For Whom The Bell Tolls
Fuel
Welcome Home (Sanitarium)
Master Of Puppets
Blackened
Nothing Else Matters
Enter Sandman

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