
Michael Angelo Batio – “More Machine Than Man” (2020)
Rat Pak Records
#NeoclassicalMetal, #InstrumentalRock
Para fãs de: Yngwie Malmsteen, Chris Impellitteri, Paul Gilbert
Nota: 8,5
Em bom português, o título do novo trabalho de Michael Angelo significa “Mais máquina que homem”. Bem, nos últimos trinta anos foram poucas as vezes em que suspeitamos do contrário, mas justamente agora a suspeita bate forte. Em seu nono álbum de estúdio, o já eleito guitarrista mais rápido do mundo surpreende: o fator humano sobrepõe o maquinário pesado que estoura tímpanos e faz queixos e cus caírem mundo afora desde os tempos de Nitro.
A verdade é que Michael, agora patrocinado pela Sawtooth Music Instruments, parece mais motivado do que nunca a desbravar novos horizontes em sua música, pondo o exibicionismo característico dos virtuosos em segundo plano. Aqui, ouvimos Angelo redescobrindo o amor pelo fraseado simples, de poucas notas; ainda que os arremates sejam o bom e velho sobe e desce de escalas na velocidade da luz. Harmonias em duas guitarras – que ele consegue reproduzir ao vivo através do uso de sua famosa double guitar – continuam sendo o ingrediente principal da receita que agora, mais do que nunca, incorpora métricas típicas do djent e do metal progressivo. Outro detalhe interessante: pouquíssimos teclados, o que realça a guitarra base e, de certa forma, contribui com a proposta mais orgânica.
O primeiro single, “The Badlands”, desenvolve-se a partir de um loop de baixo e de uma bateria seca. No clipe, Michael reina absoluto com sua Stratocaster sobre uma vastidão desértica. Há também convidados: na faixa título e em “The Two Sirens”, o batera Chris Adler (Lamb of God) assume o papel de espancador de peles, enquanto que o renomado baixista Victor Wooten contribui com sua técnica soberba em “AVTD”. Curiosamente, Adler e Wooten chegaram a ser anunciados como novos integrantes do Nitro na malfadada reunião de 2016. Levaria três anos até Angelo admitir que não iria rolar mais. Pena.
Voltando ao álbum, duas músicas na condição de calmaria pré e pós-tempestade chamam a atenção: “Dreamin’ of 1986” (construída a partir de um elaborado dedilhado de violão) e a derradeira “Rhythm Reprise (I Pray the Lord)”, com um clima quase Natalino, enaltecido pela inclusão de sinos, que abre caminho para as três faixas bônus exclusivas da edição em CD e dos formatos digitais, coroadas com a esmagadora “No Backup Plan”.
Sendo o shred guitar um estilo que ou você ama ou você odeia, “More Machine Than Man” reúne dez (na edição limitada em vinil) ou treze (CD ou streaming) argumentos capazes de aumentar e validar esse amor; por outro lado, talvez não seja ainda o disco que fará os detratores morderem a língua e aderirem ao lado fritador da força. Mas que Michael está no caminho para tal, isso, inegavelmente, está. Antes tarde do que nunca.
Marcelo Vieira





