
Mirror of Deception – “The Estuary” (2018)
Independente
#DoomMetal, #AtmosphericRock
Para fãs de: GodSend, 40 Watt Sun, Unsilence, Orchard
Nota: 9,0
Com quase três décadas de excelentes préstimos ao Doom Metal e com uma curta, porém sólida discografia, frisando que dentro da mesma existem duas jóias de alto valor, “Foregone” de 2004 e “Shards” de 2006, o Mirror Of Deception lançou de forma independente no ano passado, seu quinto álbum de inéditas, “The Estuary”, trabalho esse que os mantém como referência dentro do “Slow Heavy Metal” germânico, junto aos conterrâneos do Dawn Of Winter e Angel Of Damnation (que também lançaram álbuns ano passado.)
“The Estuary” é sentimental e intimista – poeticamente filosófico e muito similar aos lúcidos devaneios do veterano inglês, Patrick Walker (Warning/40 Watt Sun); uma outra característica a ser mencionada é a linearidade das composições, que soam como uma homogênea mistura de Doom Metal com Atmospheric e Depressive Rock, algo sempre comum à banda, mas que aqui, ganha tons ainda mais marcantes e pungentes, a produção creditada a Michelle Darkness (End Of Green), reforça tal sensação, que soa agradável aos ouvidos e principalmente, a alma.
“Splinters” e “Orphans” fazem as honras de abertura, ambas com muito peso e presença, uma maior dose de atenção na segunda, já que a mesma possui um refrão realmente belo e passional, cortesia do vocalista/guitarrista Michael Siffermann que consegue imprimir sentimentos às canções como poucos. “At My Shore” e “Magnets” são dois sublimes verbetes do disco, belos como os céus nublados num fim de tarde; “To Drown A King” e To Dust” são mais voltadas ao Doom Metal tradicional, encorpadas, robustas e reticentes.
“Divine” é um Doomrock, que lembra os trabalhos recentes do End Of Green e The Wounded, confesso que não me desceu de primeira, mas agora figura entre as minhas favoritas do álbum. (Risos).
E eis minha real favorita, “Immortal”, “tiamatiana”, progressiva, com uma leve propensão ao Gothic Metal e portadora do melhor refrão de todo disco, sublimar, eu diria.
“The Estuary” é um álbum apaixonante, introspectivo e metafórico, peculiar e sublime como a banda que o concebeu, o singular, Mirror Of Deception.
Fábio Miloch





