
MOFO – “Sick And Insane” (2020)
Independente
#ThrashMetal
Para fãs de: Vio-Lence, Destruction, Slayer, Kreator (antigo), Exodus, Dirty Rotten Imbeciles, S.O.D.
Nota: 8,5
Sejamos francos, Mofo é um baita nome de banda Thrash Metal, não acham? Eu acho isso e desde que conheci a banda resenhando o soberbo EP de estreia “Empire Of Self-Regard” (2017) sempre achei que eles tinham diferencial e não eram só mais uma banda de Thrash Metal convencional como temos tantas por aí. Sem desmerece-las, por favor ok? Todas tem qualidade, sangue nos olhos e atitude, mas nem todas tem potencial para crescer. O Mofo tem e de sobra!
“Sick And Insane”, primeiro álbum completo desses brasilienses loucos de pai e mãe (sim, quem participou do crowdfunding para o disco sabe o que estou falando por conta dos vídeos de “extrema sanidade mental”) nasceu de forma um pouco conturbada, com alguns percalços pelo caminho, mas o que importa é que nasceu!
Aquela premissa de que um segunda álbum de qualquer banda é decisivo para a carreira da mesma mantem-se em voga e aqui eles não só cresceram musicalmente como também trouxeram mais influências de bandas crossover, algumas pitadas de Hardcore aqui e ali, e até mesmo certas passagens de Death Metal com inserções de blast beats. Nada que descaracterize o estilo original, pelo contrário, super bem vindas!
O que era crueza em seu estado bruto no EP de estreia, aqui cedeu mais espaço a avanços instrumentais (inclusive dedilhados!!) bem mais técnicos e experimentações vocais de causar verdadeiros calafrios, positivamente falando, sem deixar de soar visceral.
São aproximadamente 40 minutos de uma pancadaria causticante, repleta de tudo aquilo que o estilo exige como brutalidade, agressividade e adrenalina. Mas nem tudo são flores para uma primeira audição, o que pode exigir certa insistência por parte do ouvinte: a produção/mixagem das guitarras! Não tem nada de errado nas músicas, são todas, vejam bem eu disse TODAS, brilhantes e candidatas ao caos extremo, mas aquele “punch” da rifferama do EP de estreia aqui meio que se apagou. A guitarra base ficou um tanto quanto apagada, dando ao ouvinte uma sensação de “faltar alguma coisa”. Talvez a banda optou por algo mais ríspido e mais seco? Quem sabe? Ao meu ver, após as audições das duas primeiras “Adrenaline” e “Brothers Of Death” me deixou (como crítico) apreensivo e temeroso pela qualidade do restante. “Cynic” antecede as mesmas como uma belíssima introdução em dedilhado de violão.
Enfim, não houve mudança no desenrolar de todo o disco, mas o que pode parecer estranho no que vou dizer agora é a mais pura verdade do que senti durante toda a audição. A qualidade, a velocidade, a energia e técnica que esses caras colocaram nessas músicas me fizeram esquecer desse “detalhe” e meio que “me acostumei” com ele. Hoje, após um bilhão de audições continuo achando que poderia melhor produzido? Sim, mas não me chateia e consigo ouvir numa boa.
Os pontos altos foram tantos que numa balança das almas esse fato da produção estar abaixo das expectativas praticamente some dos nossos pensamentos. A cada audição de “Sick And Insane” nos transporta rapidamente aos tempos adolescentes de pura anarquia, irresponsabilidade juvenil e vontade desenfreada de socar o primeiro desgraçado que aparecer na frente até o coitado se afogar no próprio sangue. Isso é Thrash Metal, meus caros!
Meus destaques pessoais, fora de ordem, vão para a bombástica, destruidora e cheia de quebradeira, com direito a solo de baixo estupendo “Let Them Fall”, na groovada “Brothers Of Death”, a intrínseca “Time Of War” repleta de mudanças de andamento e experimentações pessoais de cada músico, a faixa título com uma levada funkeada no início descambando para uma cacetada de puro ódio, a demoníaca e cadenciada “Purgatory”com destaque para Emiliano (vocal) berraNdo de forma gutural direto do “intestino” (risos) e a avalanche “Hate And Disgrace” que aniquila qualquer traço de vida humana que persistiu se manter viva até ela.
Vale um destaque especial para todos os músicos que se mostraram não só verdadeiros monstros do Thrash nacional como também se superaram em todos os quesitos! Parabéns à todos, mas vou esperar um próximo melhor produzido ok? (risos)
Johnny Z.





