Moon Shot – “Thunderlust” (2026)

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Moon Shot – “Thunderlust” (2026)

Reaper Entertainment | Shinigami Records
#AlternativeRock #ModernRock #MelodicRock

Para fãs de: Biffy Clyro, Shinedown, Three Days Grace, The Rasmus

Texto por Johnny Z.

Nota: 7,5

Existe uma distância considerável entre tocar Rock pesado e fazer música que tenha apelo para diferentes públicos. O Moon Shot transita justamente nesse espaço. Com integrantes que acumularam experiência em bandas de diferentes vertentes da cena finlandesa, o quarteto construiu uma sonoridade que combina guitarras fortes, melodias acessíveis e arranjos que também exploram recursos eletrônicos.

Em “Thunderlust”, seu terceiro álbum, essa combinação ganha mais espaço e apresenta um repertório que não depende de uma única fórmula.

O grupo conta com Ville Malja (vocal), Jussi Ylikoski (guitarra), Henkka Seppälä (baixo) e Mikko Hakila (bateria). Seus integrantes passaram por projetos como Lapko, Disco Ensemble e Children of Bodom, experiências distintas que ajudam a entender a variedade de referências presentes em sua música. Ainda assim, o Moon Shot possui uma proposta própria, situada entre o Alternative Rock, o Modern Rock e o Melodic Rock.

As diferenças entre as composições aparecem logo nos primeiros momentos. “Razor’s Edge” utiliza elementos eletrônicos para construir sua introdução, antes de incorporar as guitarras e desenvolver uma atmosfera mais pesada.

Na sequência, “Always In Your Corner” segue uma direção mais direta, com melodia fácil de assimilar e um refrão que encontra rapidamente seu espaço. Já “False Heroes” apresenta uma abordagem mais agressiva, com a guitarra de Jussi Ylikoski assumindo maior protagonismo.

Por outro lado, o álbum não se limita às faixas mais aceleradas. Em “A Thing Called Forever”, a banda reduz a intensidade e deixa a interpretação vocal conduzir a composição. Da mesma forma, “Hey Boy” explora um registro mais sensível de Ville Malja. São momentos importantes para evitar que o repertório fique preso à combinação de guitarras e refrões grandiosos.

Entre as músicas mais fortes, “No Walls” merece atenção especial. A composição tem presença instrumental, boas mudanças de intensidade e uma melodia que funciona especialmente bem. Enquanto isso, “Hammer Of Changes” mantém a energia em alta. Já “Lightning Strike” chama atenção pela maneira como desenvolve sua estrutura. A música começa de forma discreta e, gradualmente, ganha corpo, sem perder o cuidado com os arranjos.

A faixa-título também merece destaque. Nesse caso, o Moon Shot trabalha diferentes intensidades e explora o contraste entre os instrumentos, sem apostar em uma sequência previsível de riffs e refrões. Com isso, a composição ajuda a compreender a proposta do álbum e sua preferência por arranjos que valorizam tanto o peso quanto a melodia.

Para encerrar o repertório, “Final Call” apresenta uma escolha diferente. Sua abordagem acústica deixa os instrumentos em segundo plano e coloca a voz em evidência. Assim, o grupo encerra o disco de maneira mais intimista, em contraste com a energia de algumas das músicas anteriores.

Tecnicamente, a produção mantém todos esses elementos bem definidos. As guitarras possuem peso, enquanto o baixo e a bateria sustentam as composições sem excessos. Além disso, os teclados acrescentam camadas sem disputar espaço com os demais instrumentos.

Ville Malja também demonstra segurança ao alternar momentos de maior intensidade com interpretações mais contidas. Sua voz tem personalidade e combina com a proposta do quarteto.

“Thunderlust” não procura surpreender por meio de mudanças bruscas na direção musical do Moon Shot. Em vez disso, o álbum trabalha com as características que a banda já vinha desenvolvendo, mas oferece um repertório com diferentes possibilidades de escuta.

Algumas músicas apresentam impacto imediato, enquanto outras pedem mais atenção aos detalhes dos arranjos. A consistência das composições, a produção bem resolvida e a variedade musical contam a favor do trabalho. Ainda assim, faltam momentos realmente surpreendentes que elevem o disco a outro patamar.

No balanço geral, o álbum encontra seu valor na composição e na execução. O Moon Shot sabe que uma boa melodia pode ser tão importante quanto um riff marcante e utiliza essa combinação ao longo das dez faixas.

Portanto, para quem ainda não conhece o quarteto, é uma boa porta de entrada para seu Rock de características modernas, sem abrir mão das guitarras.

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