Mutilator – Sesc Belenzinho, São Paulo/SP (11/05/2019)

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Banda: Mutilator
Local: Sesc Belenzinho, São Paulo/SP
Data: 11/05/2019

Texto por Wallace Magri
Fotos e edição por Johnny Z.
Vídeo por Amauri Osen

O Mutilator foi uma das bandas que iniciou o movimento Metal em Minas Gerais nos anos 80. A cobertura jornalística das bandas de Metal Extremo daquele Estado que a falecida revista Metal que tenho aqui fez, edição nº 37, de 1987, assim descrevia a banda naquela época: “Outra cria da ‘Warfare Noise’, esses mutiladores se juntaram em 85, e no início eram Kleber (guitarra), Ricardo Dias Neves (baixo), Rodrigo Dias Neves (bateria) e um certo Marcelo nos vocais, que deixou o grupo pouco tempo depois por diferenças musicais. Depois da entrada do segundo guitarrista Alexander e do vocalista Sílvio SDN, a banda finalmente se estabilizou, e gravou “Believer’s Of Hell” e “Nuclear Holocaust” na supracitada coletânea. Após vários problemas internos, Sílvio picou a mula e, para não passar pela aporrinhação de procurar outro cantor, Kleber foi escalado para acumular as funções de guitarra base e vocais. A essas alturas, leia-se 1987, você provavelmente já deve estar curtindo (ou ignorando, depende do seu gosto musical), o primeiro álbum do Mutilator, ‘Immortal Force'”. Após uma debandada dos irmãos Neves, a banda continuou mas sem tanto afinco.

Naqueles tempos era só a revista Metal e a Rock Brigade – ainda engatinhando – que tínhamos por aqui para saber o que acontecia no Brasil e no mundo em termos de música pesada e, na base de troca de fitas cassetes, reutilizadas no limite, mantínhamos contato, aqui em São Paulo, com a nervosa cena metálica que estava surgindo em Minas Gerais.

Passados 32 anos do lançamento do álbum de estreia “supracitado”, o Mutilator, com os irmãos Neves no comando – após uma trajetória errática nos anos subsequentes sob a liderança do já falecido Magoo – coroa o retorno à ativa do Mutilator, e o lançamento de um futuro EP, com uma apresentação para fervorosos fãs de seu Death/Thrash de raiz neste sábado em São Paulo.

E eu, agora com 43 anos, tive o privilégio, ao lado de meu parceiro de staff e editor-chefe Johnny Z, de fazer a cobertura desta apresentação que só podia imaginar como seria lá nos idos de 1987, aos 12 anos de idade, comprando fitas e discos destes caras, do Sepultura e do Overdose na Woodstock Discos.

Ao som mecânico de serra elétrica remetendo ao imortal Leatherface, o show começa a todo vapor com “Nuclear Holocaust” levando a comedoria do Sesc Belenzinho abaixo, com a presença daquela rapaziada do Metal bem pitoresca, do tipo que sua mãe não aprovaria que você levasse para jantar em sua casa.

Logo, Ricardo Neves toma o microfone para apresentar seu irmão Rodrigo, na bateria, e os atuais integrantes da banda: Luiz Sepulchral e Kiko Ianni (guitarras) e Delei Reis (vocal), todos com muita garra para executar os hinos atemporais do Mutilator em versões atualizadas, mas sem perder o apelo nostálgico que a noite pedia. “Brigade Of Hate” começa a rolar nas caixas e dá-lhe roda de mosh pit para os fãs confraternizarem virados no Death/Thrash “bagaceira” (veja isso como elogio, pois muitos cultuam desgraceira) da banda, se bem que, em comparação ao que se ouve no disco de estreia, a coisa agora está mais nítida, encorpada e com solos bem mais em destaque.

A avalanche sonora vai seguindo com “Evil Conspiracy” e o bicho pega na pista novamente com a clássica “Believers Of Hell”, mais uma tirada da icônica coletânea “Warfare Noise” – uma puta cacetada que beira o crossover com aquele hardcore de verdade, dos anos 80, trazendo à mente a época em que a fronteira entre os estilos extremos ainda era nebulosa.

“Blood Storm” mostra que os irmãos Neves estão em forma, tanto Rodrigo segurando os blast beats com muita raça, quanto Ricardo dando cadência aos andamentos Thrash da música. Kiko gosta de um solo espetaculoso e mostra suas grandes habilidades para a plateia, mas o que o público quer mesmo é a desgraceira que vem na sequência com mais um hino, desta vez “Mutilator” – e mais roda de pogo e desfile de riffs esporrentos para descarregar maldade nesta noite de sábado sem piedade, emendando a carnificina com a soberba “Immortal Force”.

Acreditem, a esta altura do campeonato o vocal – leia-se vociferações dissonantes e maléficas – de Delei ainda está firme em sua posição, mandando ver urros o tempo todo, com muita naturalidade e presença energética em palco, demonstrando estar muito satisfeito por dividir o palco com seus ídolos de adolescência.

Vale destacar a técnica instrumental na condução dos riffs por Luiz Sepulchral, que mantém a porradaria firme enquanto Kiko vai longe nos solos com 2 fingers, com os dentes e por aí vai, como em “Tormented Souls”, música que vai levando a apresentação frenética para o seu fim, quando a banda interage com a plateia e até toca novamente os maiores sucessos da banda, na visão de seus dedicados fãs, presentes em bom número nesta noite, mandando “Nuclear Holocaust” e “Evil Conspiracy” a pedidos.

Ao final da apresentação, o clima é de camaradagem, os caras descem do palco, cumprimentam e tiram fotos com todos os presentes, autografam LPs, distribuem de bom grado camisetas da banda ao encontrar amigos músicos ou da imprensa, como os caras do Genocídio e o próprio Johnny Z., tornando a noite de sábado uma celebração do Metal Brasileiro sem espaço para estrelismo ou para ficar reclamando da sorte, do que poderia ter sido a carreira da banda, apenas celebrando os amigos e a oportunidade de estarmos ali, vivenciando mais uma noite de Heavy Metal. Hail Mutilator!

Setlist:

Nuclear Holocaust
Brigade Of Hate
Evil Conspiracy
Believers Of Hell
Blood Storm
Mutilator
Immortal Force
Tormented Soul
Memorial Storm Without Name
Nuclear Holocaust (Reprise)
Evil Conspiracy (Reprise)

 

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