Napalm Death – Circo Voador, Rio de Janeiro/RJ (23/10/2024)

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Napalm Death – Circo Voador, Rio de Janeiro/RJ (23/10/2024)


Bandas de abertura: Ação Direta e Ratos de Porão
Produção: Xaninho Produções e Kool Metal Fest
Assessoria: LP Metal Press

Texto por Vinícius Araujo (Tio Lu)
Fotos por Betho Satierf

Quarta-feira, dia de semana, sem feriado ou sequer véspera de um, aliado ao fato de que o público carioca tem um histórico de “flopar” shows… tudo parecia conspirar para que esse evento desse errado.

A casa abriu os portões pontualmente às 19h e permaneceu relativamente vazia; o receio era palpável. Às 20h, a banda paulistana de hardcore Ação Direta tomou de assalto o palco do Circo Voador com a faixa “Manifesto”. O público disperso foi aos poucos se aproximando, e o clima foi esquentando a cada faixa!

Admito que conhecia pouco do som da banda, mas ela foi me cativando a cada música, com uma postura de “sangue nos olhos”. Em um show brutal, curto e intenso, alguns momentos me chamaram muito a atenção: Jão (guitarrista do Ratos de Porão) assistindo ao show no meio do público, empolgado; a plateia cada vez mais no clima, e, perto do fim, já tinha um público considerável agitando na pista. Faixas como “Zeitgeist”, “Massacre Humano” e “Imbecilização da Raça” soaram brutais, assim como o cover veloz de “Caçador da Noite” (Dorsal Atlântica), que ficou brutal sem perder a essência.

Com 35 anos de estrada, o Ação Direta fez um baita show de hardcore, aquecendo o público para a próxima banda: o lendário Ratos de Porão.

Pontualmente às 21h, as ratazanas sobem ao palco, agora com o Circo Voador lotado. Se há uma banda que consegue a proeza de unir punks e headbangers aqui, essa é o Ratos de Porão. Abrindo com “Alerta Antifascista”, “Aglomeração” e “Amazônia Nunca Mais”, o lugar virou um pandemônio no mosh-pit – e foi assim durante todo o show, repleto de clássicos da carreira da banda.

“Morte ao Rei”, “Crianças sem Futuro” e a sequência devastadora de “V.C.D.M.S.A.”, “Guerrear”, “Políticos em Nome do Povo” e “Caos” mostraram que, mesmo com a idade, Jão, João Gordo e Boka ainda detonam (Juninho, competente baixista, é mais novo então tem bastante lenha para queimar). Ratos de Porão e Circo Voador são a combinação perfeita: a banda não se cansa de dizer que ali é sua casa, e o público reafirma isso a cada show.

Às 22h30, com pontualidade britânica, o Napalm Death sobe ao palco sem introdução ou anúncio, pegando de surpresa os que estavam no bar. A banda começa com “From Enslavement to Obliteration”, e a lona enche em segundos!

Curto Napalm Death há anos e esta foi minha primeira experiência ao vivo. Digo que foi quase transcendental, tamanha a sinergia entre banda e público, um caos controlado pelo mestre de cerimônias Barney Greenway, que pediu desculpas por não falar português, agradecendo sempre com um “obrigada” e explicando o contexto das músicas num “portunhol” que caiu nas graças do público.

O setlist incluiu todas as fases da banda, e até faixas com pegada mais experimental, como “Amoral”, foram bem recebidas. A banda estava afiadíssima, e apesar da brutalidade, o andamento das músicas se manteve perfeito. Faixas da fase death metal, como “If Truth Be Known” e o clássico “Suffer the Children”, soaram impecáveis, com o público em mosh-pits insanos e stage dives intermináveis, enquanto o Napalm Death sorria – Shane Embury até bateu palmas para o público!

O show terminou com o cover de “Nazi Punks Fuck Off” (Dead Kennedys), seguida de “Instinct of Survival” do primeiro disco da banda, o clássico “Scum” e “Contemptuous” do álbum “Utopia Banished”.

Um evento que tinha tudo para dar errado, mas deu tudo certo graças às bandas, ao público e ao trabalho impecável da Xaninho Produções e Kool Metal Fest. Ambas produtoras têm se destacado no cenário não só nacional, e só tenho a agradecer e parabenizar pelo que vêm fazendo pela cena.

Quem não foi, se f**%#!

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