Bandas: Napalm Death e Cannibal Corpse
Local: Carioca Club, São Paulo/SP
Data: 15/09/2018
Produção: Liberationmc
Assessoria: The Ultimate Music
Texto, fotos e vídeos por Johnny Z.
Final de semana. Dias feitos para relaxarmos, esfriarmos a cabeça e descansarmos envoltos de calmaria e sossego, certo? ERRADO! Lá fui eu para mais uma sessão de trucidação violenta craniana em forma de música. Sim, música! Mesmo que alguns insistam em dizer que Death Metal e Grindcore não é música. Fazer o quê? Se alguns tem ouvidinho afrescalhado ou “medinho”, o problema é deles (risos). Deixando a brincadeira de lado, vamos o que interessa.
Ah como é bom vermos casa cheia! Logo que cheguei, em torno das 18:00hs, horário que abriram-se as portas da casa, já notei que seria uma noite “daquelas”, pois a fila para entrar chegava no outro quarteirão! Não era para menos, os gigantes e mestres do Napalm Death e Cannibal Corpse estavam prestes a arrancar nossas entranhas e nos “masoquistas” não perdemos isso por nada.
Pontualmente as 19:00hs, o Napalm Death entrou no palco de forma discreta, ainda com as luzes apagadas mas Mark “Barney” Greenway (vocal) começou a “vomitar” no microfone as “lindas” estrofes de “Multinational Corporations”. Como todos já sabem, John Cooke (guitarra), é o responsável pelas seis cordas nos shows ao vivo da banda desde 2014, já que Mitch Harris resolveu se “afastar” dos palcos. Mesmo sendo creditado como membro da banda, Mitch provavelmente só será de fato em estúdio e John assume o seu posto nos shows. Uma situação um pouco delicada, pois não sabemos realmente o que se passa nos bastidores, mas confesso que MUSICALMENTE John é impecável no palco, inclusive nos backing vocals característicos que Mitch fazia com primor, ou seja, Mitch só fez falta MESMO fisicamente.
Voltando ao show (e que show diga-se!), vimos uma banda extremamente coesa no palco, logicamente devido ao currículo enorme que carregam nas costas. Shane Embury (baixo) é uma figura que poderia ficar somente parado no palco que já seria muito bom vê-lo, pois o cara é uma espécie de “Deus” do Grindcore/Death Metal mundial, mas não, o cara “esmerilha” o baixo de uma forma que chega a dar dó do instrumento, mas essa dó passa logo pois o que queremos é pancadaria, porradaria, aniquilação e destruição, então, foda-se o baixo! (risos) O mais interessante em questão de presença de palco é que, John e Shane agitam muito, mas ficam no seu lugar ou melhor, no seu quadrado “bonitinho”, já Barney, pelo amor de Deus, o cara é um retardado (no bom sentido). Todo desengonçado, com visual até meio ‘geek’, não para de andar e correr todo torto pelo palco como se estivesse tendo surtos terminais de ataque epilético. E isso é demais! Pois o conjunto da “obra”, leia-se garganta e atitude de palco, é fora de série. Como aquela garganta aguenta esse tranco diário??? O cara grita, esperneia, se esgoela como um urso no cio o tempo/show TODO, e saí do palco de boa ao final do show como se nada tivesse acontecido, falando e agradecendo os presentes de forma mansa e aveludada. Atenção otorrinolaringologistas, estudem esse cara, ou sei lá, chamem especialistas da Area 51, pois isso não é humano! (risos)
Não dá para esquecer da máquina chamada Danny Herrera (baterista), para aguentar esse trem desgovernado descendo na “banguela” uma ladeira precisa ter muito colhão! O cara é de uma precisão cirúrgica impecável, e desce a mão sem dó! Tudo conspirou para uma aula de Grindcore, já que o som estava excelente, violento ao extremo e absolutamente audível e nada embolado! Palmas para os técnicos de som, pois já vi vários shows da banda e muitos foram um “bololô” só.
O público e as rodas não pararam um minuto sequer, todos gritando e pulando até em alguns poucos intervalos entre músicas, onde Barney dava sua aula anti fascista de como o mundo deveria ser mais humano, agradecendo muitas vezes o carinho de público presente com aquele sotaque carregado inglês. Eu, particularmente, acho que conteúdos assim não devem ser ditos em shows para se evitar confusão, mas nesse caso o cara mostrou uma visão fodida das coisas! Prestem atenção nele, independente de partido ou posição política.
Chega a ser um pouco injusto citarmos pontos altos da apresentação, pois foi um avalanche de cacetadas dignas de menção, dispostas de forma correta misturando antigos e novos clássicos, dando espaço a faixas do mais recente álbum “Apex Predator”, mas farei uma força e citarei as faixas “Unchallenged Hate”, “The Wolf I Feed”, “Scum”, “Life?”, “Control”, “Dead”, “Suffer The Children”, “Breed To Breathe”, “Call That An Option?”, Nazi Punks Fuck Off” e “Inside The Torn Apart”, puramente por conta de uma sinergia 1% maior do público nessas do que as demais. Aliás, vale novamente uma menção honrosa para o público, lá do camarote (onde eu estava) pude ver a anarquia que esses loucos faziam, era amedrontador! (risos) Coisa linda mesmo! Ou seja, basicamente, o show todo foi de tirarmos o chapéu! Em torno de 1 hora e vinte de pura energia que fez com que todos nossos órgãos internos tremessem, mas mal eles sabiam que logo mais seriam arrancados brutalmente pela próxima atração.
Napalm Death é uma verdadeira instituição do metal extremo mundial, e que venham mais e mais vezes, pois sempre estarei presente em suas aulas.
Setlist Napalm Death:
Multinational Corporations
Instinct of Survival
On the Brink of Extinction
Unchallenged Hate
Smash a Single Digit
The Wolf I Feed
Practice What You Preach
Standardization
Everyday Pox
Scum
Life?
Control
You Suffer
Dead
Victims of a Bomb Raid (Anti Cimex)
Suffer the Children
Breed to Breathe
Call That an Option?
How the Years Condemn
Nazi Punks Fuck Off” (Dead Kennedys)
Cesspits
Inside the Torn Apart
Às 20:40hs, com todos nossas entranhas e órgãos internos abalados beirando a falência, o Cannibal Corpse entrou no palco, também de forma discreta, com luzes vermelhas como sangue para extirpar-nos violentamente. Que banda sensacional! A precisão desses cinco caras é impressionante.
Todos sabem que, mesmo eles sendo meio paradões no palco, conseguem esquartejar os presentes em questão de segundos. Eles praticamente não se movimentam, mas sinceramente? Não precisa! George “Corpsegrinder” Fischer (vocal), Rob Barrett e Pat O’ Brien (guitarras), Alex Webster (baixo) e Paul Mazurkiewicz (bateria) são aqueles catedráticos que não precisam sequer se levantar da cadeira para fazer que seus alunos literalmente babem.
Com o já citado som espetacular que a casa nos brindou nessa noite, tivemos uma tempestade brutal e torrencial de sangue que dilacerou cada centímetro quadrado de nossos corpos. Já tive a felicidade de assisti-los muitas vezes e a cada uma delas eu saio de queixo caído. Que peso descomunal! Que pancadaria! Que técnica! Que brutalidade ímpar! Os caras conseguem impor a faixa de Gaza por onde se apresentam em questão de poucas notas e segundos. É algo que vejo em poucas bandas isso, como por exemplo, o Slayer. É uma ligação/paixão atemporal, carnal e psíquica da banda com o público, que eu duvido que alguém ali, naquele momento, consegue pensar em algo externo ou que lhe perturbasse! Duvido! Ali todo mundo esquece os problemas da vida, as contas, as merdas no trabalho, tudo! Tudo fica pequeno e desprezível, nos tornando fortes e invencíveis.
Volto a falar: que peso descomunal que esses putos soltam no palco! Divulgando o excelente “Red Before Black”, tivemos a certeza de que se existe a perfeição em termos de Death Metal técnico, brutal e violento, ela se atende pelo nome de Cannibal Corpse. As novas faixas “Code Of The Slashers”, “Only One Will Die” e “Red Before Black”, abriram o show de forma que visceral, e notei que os “sobreviventes” do show anterior não estavam para brincadeira, pois queriam mais sangue e mais pancadaria. Sem brincadeira, eu não vi uma música sequer no show todo que não tivesse rodas monstruosas no público. Era nego segurando camiseta, celular, tênis, posters, óculos ou qualquer merda que quisesse salvar para a posteridade ou familiares lembrarem de sua existência, levantados para cima e entrando no meio da “faixa de gaza” sem nem olhar para o que estava passando por cima. Lembram do Slayer que eu disse lá atrás? Então, só bandas assim conseguem essa proeza! A aula de violência grande, mas impossível (mais uma vez) não ficar de queixo caído com esses caras. Cada riff de Rob e Pat era uma navalhada nos nossos ouvidos, sem contar que ver Alex tocar seu baixo é um momento único, pois o cara é SEM SOMBRA DE DÚVIDAS um dos melhores no instrumento, e estendo isso a Paul, que tem uma pegada única na bateria, parecendo um polvo atrás de seu kit. Não era para menos, pois a música da banda é intrincada, cheia de nuances e técnicas apuradas.
Para mim, a noite foi de Pat e Rob, pois são poucas duplas no Death Metal que conseguem se completar de forma tão perfeita. Agora, o que falar de George? Meus caros, outro que deve ser estudado pelos médicos! Não sei como esse cara não tem um AVC no palco, ou sei lá, não tem algum problema na coluna, pescoço ou crânio. Sem sair do lugar, o cara agita e fica girando tanto o pescoço (vale a ressalva que minha coxa é menor que a grossura do pescoço do cidadão, e olha que a criança aqui é grande!!!), que chega a dar vertigem até em quem está assistindo (risos). Isso sem contar a garganta, que a única coisa que me faz pensar é que ele deve tomar injeções de cimento para as cordas vocais, não tem outra coisa que o ajude (risos). Das duas uma, ou após os shows ele fica o tempo todo imóvel ou deitado (descansando ou de dor, vai saber?), ou é um robô programado, pois não tenho outra explicação. Um baita frontman, que impõe respeito e ganha o público de todas as formas.
Meus destaques da apresentação foram “Evisceration Plague”, “The Wretched Spawn”, “Gutted”, “Devoured By Vermim” (essa muito querida pelo público), “A Skull Full Og Maggots”, a sensacional “I Cum Blood” (lembram dos riffs??? nessa foi algo monstruoso!), a cortante e estupidamente querida pelo público “Stripped, Raped And Strangled”, e o rolo compressor e obrigatório “Hammer Smashed Face”, que transformou o Carioca Club numa espécie de abatedouro humano. Uma “noite extrema” de um extremo bom gosto! Vida longa aos mestres!!
Agradecimentos especiais à produtora Liberation e a assessoria The Ultimate Music pelo respeito, parceria e amizade de sempre!
Setlist Cannibal Corpse:
Code of the Slashers
Only One Will Die
Red Before Black
Scourge of Iron
Evisceration Plague
Scavenger Consuming Death
The Wretched Spawn
Pounded Into Dust
Kill or Become
Gutted
Devoured by Vermin
A Skull Full of Maggots
I Cum Blood
Make Them Suffer
Stripped, Raped And Strangled
Hammer Smashed Face















