
Os Capial – “Chichá – Sterculea Foetida” (2018)
Cemitério Records | Tucciname Produções | Rapture Records
#Grindcore
Para fãs de Napalm Death, Defecation, Dead Infection, Serrabulho, GROG
Nota: 9,0
O solo bem preparado, trabalhado com afinco e dedicação, normalmente rende bons frutos. Isso é um fato consumado em se tratando dos Capial. Uma das bandas mais prolíficas e originais do cenário extremo nacional, integrada por dois humildes e esforçados homens do campo, já tem como planilha anual a obedecer o lançamento de um disco, haja vista que nos últimos quatro anos tivemos lançamentos seguindo a risca esse cronograma.
“Chichá – Sterculea Foetida”, seu mais novo álbum, continua a saga do “AgroGrind”, ou seja, aquele Grindcore selvagem e bruto que versa sobre a rotina do campo de uma forma bastante peculiar. Bento (bateria) e Dito (guitarra e vocal), respeitando o manual das formações minimalistas do gênero, extraem de seus respectivos instrumentos o máximo de agressividade e dissonância que o ouvido humano pode suportar.
Em relação ao álbum anterior (“Emboscada Caipira de Plasma” de 2017), os sujeitos se portam ainda mais primitivos, se aproximando do Goregrind sem parcimônia – vide “Mulher Rural”, com participação de Mars Martins no vocal (Balanopostite e On Crash).
A maioria esmagadora das vinte faixas contidas aqui esboçam o Grindcore de princípios do século passado, ou seja, nada refinado ou comportado; aquele cuja única preocupação é moer crânios e dentes contra a parede, ou melhor, de frente a uma colheitadeira desenfreada. A produção correta, mas propositalmente simples, deixa tudo bem básico, onde o atonal e o imundo prevalecem. Uma pena que, quando começa a empolgar, o disquinho acaba e você já se vê obrigado a acionar o “repeat” ao menos mais umas 30 vezes até as caixas de som pedirem arrego. Destaques para “Arroba”, “Copada” (de um peso monstruoso) e ”Lavagem”.
“Chichá – Sterculea Foetida” aparece para sedimentar a carreira dos Capial no underground nacional e até mundial. Já deixaram de ser promessa há muito tempo. Agora é só alçar voos maiores.
Ricardo L. Costa




