
Voivod – “The Awake” (2018)
Century Media Records
#ProgressiveMetal, #AlternativeMetal, #CosmicMetal
Para fãs de: Devin Townsend, Fates Warning, Messhugah
Nota: 10
O Voivod é daquelas bandas que sempre primaram pela autenticidade e pela integridade com que desenvolvem sua carreira. Houve um momento em que flertaram com o mainstream – quando lançaram o aclamado “Nothingface” (1989) e na sequência com “Angel Rat” (1991) –, mas fato é que a carreira destes canadenses nunca chegou a realmente decolar, em termos de popularidade e alcance de imagem.
Considerando o alto nível de todos os álbuns que lançaram nestes aproximados 35 anos de existência – além da evolução de sua sonoridade, pautada no Speed Metal/Punk nos dois primeiros álbuns, rumando para um Thrash Metal com elementos de progressivo nos trabalhos subsequentes, passando por momentos de flerte com o Metal Industrial (em “Phobos”, principalmente), Indie Rock (“Voivod”, de 2003, que marca a entrada de Jason Newsted para a banda) e, a partir de “Katorz” (2006), começaram a trilhar uma volta às origens – eis aqui mais uma banda para engrossar a lista de injustiçadas pela mídia e pelos fãs de Metal.
Em que pese toda a variação sonora acima destacada, há certos elementos que mantêm a coesão de toda a discografia da banda: acordes de guitarra dissonantes, andamentos rítmicos inusitados, uma pegada punk (ora escancarada, ora latente) e as letras das músicas que tratam de um futuro distópico-cibernético, presenças alienígenas e outros temas cósmicos e transcendentais realmente perturbadores.
E, tudo isto está presente e muito bem sintetizado neste “The Awake”, que pode ser considerado como uma síntese de tudo o que o Voivod produziu ao longo de sua jornada. Que Denis “Piggy” D’Amour deixou este plano terreno há 13 anos todos sabem, mas é certo que sua presença metafísica é sentida neste trabalho, inspirando os arranjos de guitarra muito bem compostos e executados por Daniel “Chewy” Mongrain.
E o que dizer dos andamentos percussivos de Michael “Away” Langevin? O cara é um verdadeiro monstro, certamente um dos 3 melhores bateristas em atividade na cena Metal. Se você tem alguma dúvida, confira a métrica insana com que conduz “Always Moving” e certifique-se do que estou falando.
São estas levadas de bateria inusitadas que dão o contorno meio jazzístico ao álbum, além da banda se mostrar aberta a todo tipo de diversidade e possibilidades criativas – como é o caso da inclusão de arranjos de cordas em “Inconspiracy” e, talvez, uma das coisas mais malucas que já ouvi: a última música do play, “Sonic Mycelium” que, como o nome sugere, é um emaranhado (muito bem-ajambrado) de passagens das outras músicas do álbum, com direito a arranjo de violinos e outras cordas, tornando-a um espetáculo ao mesmo tempo belo e caótico de cerca de 16 minutos, que transcorrem de maneira leve e intrigante.
Somente uma banda genial como esta para entregar um trabalho tão consistente e inovador, mesmo depois de tanto tempo de existência, provando que os “Dinossauros” do Metal podem se reinventar, ainda que reverenciando suas glórias do passado, mas seguindo em frente em seu processo criativo.
Que o Voivod continue assim para sempre, ou pelo menos até serem definitivamente abduzidos pelos seres astrais a que tanto invocam em suas músicas.
Wallace Magri





