Overkill – “The Grinding Wheel” (2017)

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Overkill“The Grinding Wheel” (2017)
Nuclear Blast

Nota: 9,0

Impressionante como o tempo não passa para o Overkill. Há 32 anos atrás, o ‘debut’ “Feel the Fire” foi algo furioso, e de lá pra cá, petardos e mais petardos e muito mais petardos são arremessados sem dó nem piedade em direção a nossos tímpanos: a banda é incansável para a arte de fazer Thrash Metal! Contando com o álbum de covers, “Coverkill” lançado em 1999, este é 19º trabalho de inéditas desta verdadeira instituição do Metal.

Este é o 5º trabalho consecutivo com esta mesma formação: Bobby Ellsworth (vocal); D. D. Verni (baixo); Dave Linsk e Derek Tailer (guitarras) e Ron Lipnicki (bateria) mostram-se entrosados e com um sangue nos olhos tipicamente adolescente encarando cada nota das 10 faixas presentes na edição standard como se fossem as últimas de suas vidas.

As composições quase nos fazem crer que trata-se de um álbum do Metallica: músicas longas, viradas das mais diversas, mudanças bruscas de andamento, tudo aqui reflete aos mais recentes trabalhos de James Hetfield e seus aceclas, porém com uma dose extra de peso nas guitarras, a tal fúria a que falamos linhas acima. Pessoalmente, acho isso excelente, maturidade conquista-se com o tempo e com mais de 35 anos de estrada, é uma situação inevitável. Aqui, os caras optaram por um trabalho mais heterogêneo e diversificado, que vai do rápido ao cadenciado num piscar de olhos, sem perder o poderio destrutivo em um único segundo sequer.

Como não ficar boquiaberto com a faixa de abertura “Mean Green Killing Machine”? Com uma poderosa intro de bateria, impossível não empunhar sua “air guitar” com o riff inicial, além de a voz de Bobby Blitz estar afiadíssima, o ouvinte certamente irá cantar a letra junto. Tipicamente Overkill, candidata a clássico!

“Goddamn Trouble” além de ganhar um excelente videoclipe (link abaixo) tem uma intro que me lembrou “Broken, Beat & Scarred” do Metallica (Ops, de novo!), e os riffs até parecem ter saído diretamente do computador de James Hetfield ou o tal celular perdido de Kirk Hammett; essa música poderia tranquilamente fazer parte de “Death Magnetic” ou “Hardwired To Self-Destruct”. “Shine On” é fantástica, com um trampo de guitarras pendendo mais para o Megadeth dessa vez. Por outro lado, “The Long Road” é destaque absoluto já que mistura o lado Thrash com um quê de Iron Maiden (impossível não lembrar de Bruce Dickinson e cia. no famoso ‘oh oh oh oh oh’ do solo), além de ser a faixa em que o baixo está mais “na cara” e escancarado. Esta é pra se ouvir e reouvir várias vezes.

“Come Heavy” é a melhor de todas! Posso escrever quaisquer adjetivos aqui, que não chegará a algo que dignifique a obra. Com uma levada realmente contagiante, e um refrão realmente pegajoso. Não consigo tirar essa faixa da minha lista de reprodução! Em “Red, White and Blue” a velocidade dos riffs e da bateria são incríveis, mostrando mais uma vez a diversidade do qual também já falamos (ouça o fantástico riff aos 2min25seg da música e pire de uma vez!!). Os backing vocals de D.D. Verni completam o ritual deixando esta música ainda mais especial. O encerramento com a faixa título é mais lento, sem perder aquela aura pesada que as 9 faixas anteriores impregnaram em nossas mentes.

E não posso deixar de citar mais uma vez, as benditas (ou malditas!) edições especiais e japonesas disponibilizadas pela gravadora; em algumas delas temos o cover do Thin Lizzy, a clássica “Emerald”; além de um dos mais famosos lados B do Iron Maiden gravado e composto no idos dos finais dos anos 70, a clássica “Sanctuary”, disponível apenas para o mercado japonês. O lado punk falou mais alto na escolha por este cover.

A veia Thrash segue com mais sangue do que nunca nos corpos do quinteto norte-americano. Fãs das antigas não irão se decepcionar. O disco é tão bom e tão atual, que novos admiradores de sua música poderão aparecer aqui e ali. Embora, nos anos 90 e 2000, os caras tenham lançado trabalhos não tão inspirados, aqui a música é realmente de primeira. Ouça e comprove!

Mauro Antunes

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