Pantera e Judas Priest – Vibra SP, São Paulo/SP (15/12/2022)

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Bandas: Pantera e Judas Priest
Local: Vibra SP, São Paulo/SP
Data: 15/12/2022
Produção: 30e

Texto por Ivan Luiz de Oliveira
Colaboração (texto e vídeos) Wellington ‘Zué’

Meio de semana, fim de ano, trânsito pesado e lá fomos para o Vibra São Paulo para presenciar duas aulas de Metal. Depois de muitos anos sem ir a shows nesta casa, o que mudou foi somente o nome e que um grande estacionamento na rua de trás virou prédio de luxo.

Chegando ao local, haviam filas quilométricas de todos os setores, com o atraso da abertura dos portões, fazendo que os presentes ficassem preocupados com o atraso do show.

Assim que adentramos ao show, logo de cara aquele bandeirão com o logo PANTERA já nos recepcionava de forma positiva. Alguns últimos preparativos no palco que davam para ver num dos lados do bandeirão, quando aparece  Zakk Wylde filmando a galera e sendo bem recebido.

Em seguida, começa a tocar a música “Regular People (Conceit)”, do Vulgar Display of Power, e os telões começam a mostrar imagens antigas da banda dando destaque aos saudosos irmãos Vinnie Paul e Dimebag Darrell. Saudosismo, emoção, tudo misturado; como a banda com a formação clássica era uma máquina azeitada de Heavy Metal. Vídeo terminando, começa a trilha de Eraserhead,  “In Heaven (Lady in the Radiator Song)” e assim caindo o bandeirão temos o início da destruição sonora com o quarteto hoje formado pelo grande Phil Anselmo, Zakk Wylde (Ozz Osbourne e Black Label Society) nas guitarras, Charlie Benante (Anthrax) na bateria e substituindo o afastado por covid Rex Brown, tivemos a presença de Derek Engemann (Cattle Decapitation e Phil Anselmo & The Illegals).

O show começa com “A New Level” e logo em seguida começa a agitação do público na pista e na casa em geral. O som estava muito bom do início ao fim do show, o que garantiu o sorriso de todos os presentes.

Seguida por outra música clássica da banda, “Mouth for War”, essa fez os presentes cantarem alto e agitarem novas rodas na pista. Na sequência, alguns sons do “Far Beyond Driven”,  como, por exemplo, “Strenght Beyond Strenght”, “Becoming”, “I’m Broken” e “Five Minutes Alone”. Uma sequência destruidora de perder o folego. Banda bem ensaiada, coesa, prestando um tributo justo e sincero aos irmãos. Zakk detonando nos riffs e nos solos, Charlie descendo a mão no seu kit de bateria, que na frente dos bumbos, tinha a imagem dos irmãos e o Derek pegando o rojão de última hora cumprindo bem o seu papel, quando o show tem que continuar.

O show seguiu com uma das mais famosas da banda (muito devido ao clipe ter rolado muito na MTV). “This Love” fez abrir uma imensa roda na pista e agitar de maneira insana a casa, que aliás, estava lotadíssima. Seguindo com a porradaria, um dos momentos mais brutais foi com a sequência “Yesterday Don’t Mean Shit” e “Fucking Hostile”.

E para contrastar, um dos momentos mais belos e emocionantes de toda a noite. Ao som de “Cemetery Gates”, imagens dos irmãos Darrel nos telões levaram muitos a se arrepiarem e alguns as lagrimas. O legado está vivo, mas o talento desses dois grandes músicos jamais será esquecido.

Na sequência, a viagem de “Planet Caravan, cover do Black Sabbath, deu uma acalmada antes de um dos riffs mais famosos do metal, “Walk”, que fez a temperatura da casa ir nas alturas novamente, mantida com “Domination/Hollow” e para fechar a noite, um dos sons que fizeram os texanos aparecerem e se tornarem uma das maiores bandas de metal da década de 90, “Cowboys From Hell”.

As 22h30, após uma bem sucedida troca de cenários, chegava o momento de termos novamente a banda que é quase um sinônimo de heavy metal, o lendário JUDAS PRIEST.

Tocando pela primeira vez com Rob Halford em um local fechado em São Paulo, acabou proporcionando uma experiência mais próxima ao público.

Com uma das introduções mais famosas da música pesada, eis que a banda surge com “The Hellion/Electric Eye”, mostrando que, para uma banda que está comemorando 50 anos de estrada, ainda tem muita lenha para queimar. Na sequência, emendaram a muito boa “Riding On the Wind” e a clássica “You’ve Got Another Thing Coming'”. É necessário ressaltar que, no passado, o som do antigo Credicard Hall oscilava muito, mas nessa apresentação estava perfeito.

Como dito no início, o Judas Priest é uma instituição do metal britânico e mundial, e seu estilo ditou moda entre muitos headbangers durante a década de 80, e isso também faz parte do show. O palco é relativamente simples, mas o logo da banda com os refletores, mudando de cor dependendo do som é um efeito visual muito bacana.

As próximas mostraram o quanto o velho e o novo podem ser exatamente bons na mesma medida. A já clássica “Jawbreaker”, que não é tão conhecida de tantos presentes e “Firepower” do mais recente e homônimo álbum da banda mantiveram o nível da apresentação, mesmo que sem aquele coral em uníssono como nos maiores hits.

Outro som lembrado do maravilhoso do espetacular “Screaming for Vengeance” foi “Devil’s Child”, que trouxe um sorriso no rosto de todos presentes que já estão próximos aos 50. É importante falar que a banda está afiadíssima, os duetos de guitarras, com foco muito mais em Ritchie Faulkner, mas também com solos do membro atual e famoso produtor Andy Sneap, mantendo o legado da banda, mas, ainda é estranho olhar para o palco e não ver KK Downing e Glenn Tipton. Esses dois formaram uma das maiores duplas do metal e foram tão importantes quanto Rob Halford para tornar o Judas Priest a lenda musical que é.

“Turbo Lover” foi um dos destaques da apresentação, pois traz uma excelente interação de Halford com o público, e seu refrão grudento fez a casa inteira cantar muito alto! Tivemos outros grandes momentos na sequência, como o resgate de “Steeler” ao setlist, a pesada “Between the Hammer and the Anvil”, “Metal Gods” para todos saudarem os deuses do metal e a praticamente auto empossada “The Green Manalishi”, que ninguém sequer se lembra que é um cover do Fleetwood Mac.

Mais uma vez sobre o som da apresentação, até o acanhado Ian Hill, membro original e sempre acanhado, estava com o som de seu baixo muito destacado e alto, mostrando os seus bons serviços nos 50 anos da banda. O final da primeira parte do show foi para testar a voz do Metal God, com “Screaming for Vegeance” e “Painkiller”, que havia saído do setlist no início da turnê, mas é praticamente obrigatória e os fãs reclamariam até a morte a sua ausência.

E com a conclusão dessa parte, podemos dizer que, a voz de Rob Halford continua excelente, mesmo que em determinados momentos seu corpo já mostrasse cansaço. Na volta do bis, a parte “alegre” do set, com músicas claramente para festejar. A já tradicional entrada de moto em “Hell Bent For Leather”, em que a galera vai à loucura, mesmo quase todo mundo já sabendo do que aconteceria, “Breaking the Law” e, finalmente, fechando uma grande festa metálica com “Living After Midnight”.

São 50 anos dessa instituição do metal, e seria muito pedir outros 50, mas, se você puder assistir novamente, não perca, pois eles não estarão aqui por muito mais tempo, mas enquanto estão, continuam sendo OS DEUSES DO METAL, queira você ou não!

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