
Pharaoh – “The Powers That Be” (2021)
Cruz Del Sur Music
#PowerMetal, #ProgMetal, #HeavyMetal
Para fãs de: Control Denied, Nevermore, King Diamond
Nota: 9,5
Já ouviu falar do Pharaoh? Eu nunca tinha ouvido, mas seus músicos já foram banda de apoio para gente como Chris Poland (ex-Megadeth) e Mike Wead (King Diamond) em álbuns solos destes. Fora que o vocalista Tim Aymar foi o vocalista escolhido pelo saudoso Chuck Schuldiner para ser o responsável pelos vocais em sua (maravilhosa) banda paralela ao Death, Control Denied.
E ao ouvir este “The Powers That Be” a maior referência é justamente o som que o Control Denied praticava (com ressalvas, é claro), mas tem originalidade.
O som do Pharaoh é muito bom, um metal intrincado e bem trabalhado que fica entre o Power e o Prog Metal, mas não pense que estamos falando daquele Power/Prog melódico tão praticado no velho continente e que eu pessoalmente não consigo ouvir absolutamente mais nada. Aqui temos uma boa mistura e uma sonoridade pesada e o mais importante, originalidade. Não que o som do Pharaoh reinvente a roda, mas passeia com maestria pelos estilos com muita personalidade e sem apelar para clichês do estilo, o que em si já é uma baita vitória ao meu ver.
Começando pela capa, que é simples e pouco atraente e em tempos onde capas lindíssimas têm se tornado mais regulares, podiam caprichar mais nesse quesito.
A obra começa pela música título já arrebentando tudo com uma levada pesada, rápida e intrincada e com o vocal de Tim simplesmente fenomenal. Essa música é uma ótima amostra do que será o álbum. “Will We Rise” vem com uma levada mais cativante com ótimas linhas de guitarra e vocais funcionais onde a voz rouca de Tim nos remete ao grande Warrel Dane (Nevermore). Já “Waiting To Drown” é quase um interlúdio com menos de três minutos em um álbum com canções longas. Um belo dedilhado e mais uma vez o vocal dá um show de timbre e interpretação.
“Lost In The Waves” tem um início apoteótico e melódico que se misturam bem com partes mais quebradas e alguns climas que remetem a algumas músicas do King Diamond, principalmente no instrumental. Os fãs de Prog vão se extasiar com “Ride Us To Hell”, com sua levada rápida e intrincada e com linhas vocais épicas e muita melodia. Que música!
Para acalmar os ânimos, “When The World Was Mine” começa lentinha com (mais) um estupendo trabalho vocal, e riffs cavalgados e uma levada cativante e muitas alterações rítmicas. É impressionante como o Pharaoh não fica na mesmice, quando você pensa que a música está indo para um lado mais previsível, a banda muda drasticamente e te surpreende positivamente. Destaque para a linha de baixo de Chris Kerns. “Freedom” começa melódica e cavalgada trazendo algo de Accept à sua mente como uma levada mais “simples” por assim dizer, mas ainda assim os vocais de Tim roubam a cena, chegando a lembrar um pouco Andi Deris (Helloween) em algumas partes.
Após mais um belíssimo dedilhado, “Dying Sun” mantém a criatividade da banda lá em cima, com alternância de climas e temas e extremamente agradável aos ouvidos ao longo dos seus quase sete minutos. “I Can Hear Them” fecha esse disco fantástico de forma coesa e eficiente, bem como todo trabalho.
“That Powers That Be” é um disco incrível: Transborda técnica instrumental, nada maçante, com melodias de muito bom gosto, músicas extremamente criativas e linhas vocais incríveis de Aymar, dotadas de muita interpretação e personalidade.
Me sinto quase culpado de nunca ter ouvido antes, sabendo que já tem cinco álbuns de estúdio lançados! Enfim, temos aqui uma rara oportunidade de ouvir um metal extremamente bem feito e repleto de originalidade, coisa tão difícil de se encontrar hoje em dia. Com certeza vai estar na minha lista de melhores de 2021!
Thiago Barcellos
Thiago Barcellos





