
Rhapsody of Fire – “Glory for Salvation” (2021)
AFM Records
#SymphonicMetal, #PowerMetal, #NeoclassicMetal
Para fãs de Turilli/Lione Rhapsody, Blind Guardian, Gloryhammer
Nota: 9,0
Falar do Rhapsody of Fire tem seu peso emocional para este que vos escreve, já que é uma das bandas pelas quais fui apresentado ao mundo do heavy metal, há 25 anos atrás. Então, mesmo que o encanto pela banda tenha minguado com suas metamorfoses, uma mistura de sentimentos ainda toma minha alma enegrecida quando ouço um trabalho desses caras. Em 2019, o Rhapsody of Fire iniciou sua primeira saga não escrita pelo ex-guitarrista Luca Turilli, com o bem-recebido The Eight Mountain. Agora, o segundo passo da empreitada tem a importante responsabilidade de cimentar o caminho trilhado pela banda, liderada pelo veterano Alex Staropoli.
Após um EP muito bem trabalhado, as expectativas para o novo álbum do Rhapsody of Fire estavam nas alturas. E é nesse cenário, em meio a apreensão dos fãs e a curiosidade cética dos críticos, que Glory for Salvation dá as caras. O álbum abre os trabalhos com Son of Vengeance, e é aqui que sou obrigado a aplaudir os italianos. Apesar das mudanças colossais de formação, as credenciais históricas da banda não podem ser ignoradas, e é isso que a primeira faixa vem nos lembrar. Uma bela obra de power metal sinfônico rápida, orquestrada e visceral ao melhor estilo Rhapsody, que lembra de que banda estamos falando, e ao mesmo tempo mostra a que veio.
O álbum navega em um storytelling primoroso, com ambientações, narrações, e a mistura de elementos orquestrais e neoclássicos com o power metal estão bem equilibrados, na medida certa, como se percebe em The Kingdom of Ice. Alguns momentos podem fazer o fã torcer o nariz, como em Terial The Hawk, em que a banda volta a mostrar seu lado folk, ou nas duas power-ballads que quebram um pouco o ritmo, mas ainda assim, percebe-se o esmero e o trabalho das composições.
Entretanto, o destaque mais impressionante do álbum talvez esteja na épica e opulenta Abyss of Pain II. São 11 minutos de uma condução magistral, com momentos surpreendentes, onde cada integrante tem espaço para mostrar seus talentos em um conjunto de obra fascinante, feroz, sombrio, épico e cinemático até as nuvens.
Excelente trabalho dos italianos, que continuam nos conduzindo a um mundo fantasioso único, através da sua música.
Will Menezes





