
Ronnie Atkins – “One Shot” (2021)
Frontiers Music
#HardRock, #MelodicRock, #AOR
Para fãs de: Pretty Maids, Gotthard, Nordic Union
Nota: 8,0
A vida nos ensina que na diversidade conhecemos as pessoas. A maior dessas diversidades é a nossa mortalidade que tem afetado terrivelmente a vida do dinamarquês Ronnie Atkins nascido Paul Christensen e líder do Pretty Maids, um dos grandes vocalistas da atualidade, não apenas em termos técnicos, mas pela enorme capacidade de transmitir emoção com sua interpretação. Depois de quarenta anos de estrada, Atkins resolveu lançar seu primeiro álbum solo: “One Shot”.
“Inicialmente eu não tinha intenção de lançar um álbum solo, mas por vários motivos, em particular minha saúde, decidi tentar ” – disse Atkins – “Em 2020 fui diagnosticado com um câncer de pulmão em estágio 4, o que foi devastador e me fez entrar em pânico por um tempo.” – Atkins continua – “Quando a poeira baixou escolhi levantar, traçar metas, perseguir meus sonhos e continuar vivendo já que não poderia mudar os fatos. Com o respaldo da minha família e dos verdadeiros amigos levei adiante essa ideia, pois não tenho todo o tempo do mundo”.
A comparação com o Pretty Maids é inevitável, mas esse trabalho toma outro rumo (e é assim que deve ser), como disse Atkins: “Musicalmente eu poderia ter tomado várias direções, mas uma boa música é uma boa música, a questão é como ela é embalada. Este é basicamente um álbum de rock melódico com um toque pesado”. Liricamente há outra abordagem também: “Achei difícil escrever sobre sexo, drogas e rock’n’roll devido a situação em que estou envolvido, então acabou sendo um pouco mais pessoal e até melancólico, mas reflete meus pensamentos no momento em que as letras foram escritas”.
Liderando um timaço (Pontus Egberg (Lion’s Share, King Diamond, Treat, The Poodles), Pontus Norgren (Hammerfall), Kee Marcello (Europe), Olliver Hartmann (Avantasia, At Vance), Linnea Vikström Egg (Therion), Björn Strid (Soilwork, The Night Flight Orchestra), entre outros), Atkins, com sua poderosa e inimitável voz, nos faz navegar pelos mares do hard melódico enquanto o ouvinte se vê enfeitiçado por melodias e refrões cativantes.
Ficou a dúvida se a produção de Chris Laney (mixagem de Jacob Hansen (Pyramaze)) seguiu a fórmula da Frontiers com tudo muito polido e liso ou se a ideia era essa mesma para destacar a voz de Atkins, que se desnuda a cada canção, e prestar uma homenagem em seu, possivel e infelizmente, último ato.
Atkins nos brinda com um álbum divertido, emocional e poderoso mostrando a sua recusa em se intimidar perante a própria vida e diante do cruel inaceitável. Costuma-se dizer que o melhor trabalho de um artista é sempre o mais recente e “One Shot” é um álbum que consolida o legado de Atkins com muita profundidade e singularidade.
Talvez essa seja a despedida de um dos grandes que caminham entre nós, mas como diz a canção “Real”: “Tem que ser real. Eu não quero me contentar com o segundo melhor. Eu quero sentir a urgência de cada respiração que eu dou”. Que esse não seja o “canto do cisne” de Ronnie Atkins.
João Paulo Gomes




