
Sacrifix – “World Decay 19” (2021)
Thrash Or Die Records | Rapture Records
#ThrashMetal, #OldSchoolThrashMetal
Para fãs de: Slayer, Exodus, Megadeth
Nota: 8,0
O embrião do Thrash Metal foi concebido em um ventre underground, gerando uma espécie de filho rebelde do Heavy Metal com o Punk mais pesado. Ele cresceu, quis conhecer o mundo e passeou pelo mainstream, mas não parecia ser sua vocação natural permanecer por lá. Metallica e Megadeth, por exemplo, ainda sustentam o seu status de superbandas do gênero com seus clássicos de maior apelo comercial. Isso é um fato! Mas, é inevitável perceber um êxodo migratório para a origem.
O Sacrifix é um projeto desengavetado no meio da atual pandemia de coronavírus, e não deve ser confundido com duas extintas bandas homônimas de Metal estadunidenses, e nem mesmo com a competente banda Hardcore das Filipinas. O Sacrifix, em questão, é brazuca e parece disposto a contribuir para levar o Thrash Metal de volta para a sua velha escola.
O multi-instrumentista Frank Gasparotto (Masmorra, Spiritual Hate) é a mente por trás do Sacrifix, que nasceu sendo um projeto com tendências para One Man Band, mas o desejo de contar com outros músicos nessa empreitada fez com que Frank convidasse seus antigos parceiros dos tempos de Infamous Glory: Kexo (baixo) e Gustavo Piza (bateria) para acompanha-lo nessa jornada.
Ficou sob a responsabilidade do próprio Frank Gasparotto gravar todos instrumentos e produzir “World Decay 19”, já que na época os outros membros ainda não tinham sido convidados. Tudo foi gravado e produzidos no North Greenhouse Studios, em São Paulo, com mixagem por conta do experiente músico/produtor Marco Nunes (Chaosfear), que já produziu bandas como Genocídio e Masmorra, entre outras.
O Sacrifix não pretende reinventar a roda com o lançamento de “World Decay 19”, mas reforça a ideia de uma New Wave Of Old School Thrash Metal. E começamos por “Sacrifix”, single homônimo, lançado nas plataformas de streaming e em vídeo no formato ‘collab’, tanto no canal da banda como em vários festivais online. A letra da música soa como uma declaração contra a hipocrisia religiosa e como ela afeta relações de amizade e familiares. Sonoridade agressiva e bastante pungente, tudo para deixar um verdadeiro thrashbanger satisfeito. Gostei bastante da faixa “Living Hell”, e nela fica claro para mim que Frank acertou a mão na composição e teve um excelente desempenho nela. Percebemos ótimos riffs, que flutuam de Slayer à Megadeth com o devido equilíbrio.
Ouvindo “Pain” viajei automaticamente para os anos 80 e sem passar por nenhum pedágio. A ‘pegada’ da composição foi tão intensa que me remeteu ao “Among The Living” do Anthrax. Passando para “Escape”, percebemos um sonoridade indo bem na linha do D.R.I., mas sem deixar de receber aquele carimbo com o selo Bay Area. A faixa também foi divulgada em formato ‘visualizer’ no canal da gravadora Thrash Or Die Records, pelo Youtube. A composição que fecha o álbum, “World Decay 19”, é um deleite e possui bastante técnica, por sinal. É inevitável lembrar dos primeiros trabalhos do Slayer, como também de Sepultura, em “Beneath the Remains”, por exemplo.
Alguns discutem sobre a possibilidade de o Heavy Metal ter morrido. Obviamente, isso não ocorreu – e espero que nunca aconteça. É certo que as vertentes mais agressivas do Heavy Metal são essencialmente underground, e continuarão a existir se permanecer nas origens. A explosão comercial ao nível mainstream nunca foi condição relevante para a sobrevivência do estilo. Entretanto, uma coisa certa: o Thrash Metal continua muito vivo.
Sacrifix é uma banda que você pode ouvir sem medo. E sem sacrifício nenhum!
André Nasser





