
Saxon – “Carpe Diem” (2022)
Heavy Metal Rock
#HeavyMetal, #NWOBHM, #TraditionalMetal
Para fãs de: Iron Maiden, Judas Priest, Accept
Nota: 9,0
Sejamos sinceros: poucas bandas possuem em sua trajetória discografias tão consistentes como o Saxon. Ainda que para muitos, alguns álbuns deixem um pouco a desejar, a carreira do quinteto inglês sempre nos traz grandes momentos.
E entramos em 2022 com mais uma obra de arte criada pelos mestres do Heavy Metal! “Carpe Diem!”, 23º trabalho de estúdio dos ingleses, é uma verdadeira aula de como se manter fiel as suas origens sem precisar de nenhum tipo de inovação, aderir a certas modernidades ou simplesmente se acomodar. Biff Byford e cia. garantem a todo fã da banda ou do estilo 10 faixas repletas de riffs, peso e, em muitos momentos, velocidade, mas acima de tudo, uma entrega e paixão pelo que se faz como poucas bandas conseguem fazer.
Produzido por Andy Sneap (Judas Priest, Exodus, Accept), no Backstage Recording Studios, em Derbyshire, Inglaterra, com a participação de Biff Byford na mixagem e masterização, o álbum significa a síntese do puro e definitivo Saxon! Um encontro entre o clássico e o contemporâneo, uma celebração de todo legado de uma das maiores bandas de heavy metal de todos os tempos.
Após períodos difíceis enfrentados pela banda, sendo um deles o infarto sofrido por Biff ainda em 2019, “Carpe Diem” (“aproveitem o dia”, em latim), foi gravado antes do período turbulento da pandemia, mas parece carregar consigo toda a intensidade deste momento sombrio e difícil vivenciado por todos. Apesar disso, o próprio Biff ressalta que “estava escrevendo muito enquanto estava na cama do hospital, e passamos muito tempo compondo e organizando as ideias que todos tínhamos. Eu acho que é um álbum muito intenso, e talvez parte dessa intensidade venha da frustração de não poder fazer nada no período de Covid.”
A faixa título abre o álbum e nos entrega um heavy metal tipicamente Saxon. Guitarras inspiradas comandadas por riffs que são a alma da banda. Paul Quinn e Doug Scarrat, apesar de pouco citados pelos fãs em geral, formam uma das mais bem entrosadas e técnicas duplas de guitarristas do metal. O que fica ainda mais latente na pesada “Age of Steam”, faixa que vem na sequência. Guiada com precisão cirúrgica pela cozinha composta por Nibbs Carter e Nigel Glockler (baixo e bateria respectivamente), a composição traz um Saxon revigorado e mostrando que tem muita lenha pra queimar nesse cenário. “The Pilgrimage”, sem dúvidas, um dos maiores destaques do trabalho, é densa, sombria e ao mesmo tempo, dona de uma bela melodia, explorando o vocal de Biff, pois faixas nesse formato tendem a exigir mais dos vocalistas. E aqui, o veterano inglês mostra que está em dia com as cordas vocais.
Mas se você quer aquele metal tradicional, pesado e veloz, temos “Dambusters”, com aqueles riffs cavalgados e baixo galopante, marca mais que tradicional do grupo, bem como “Remember the Fallen”, outro grande momento, onde as guitarras comandam o andamento com maestria. “Supernova”, agressiva e pesada antecede “Lady in Grey”, sem dúvidas, o momento mais pesado do trabalho. E tome riffs tradicionais em “All For One”, como reza a cartilha de quem sabe o que faz, sem precisar provar nada a ninguém. Duas faixas com execuções diferentes encerram o trabalho. Enquanto “Black is the Night” vem com peso e muita agressividade em seus riffs, “Living on the Limit” fecha o play com uma aula de intensidade, velocidade e metal da mais alta classe e bom gosto.
O Saxon continua sua saga em prol do Heavy Metal. Independe de comparações, o que se torna totalmente desnecessário e infantil, o grupo comprova, trabalho após trabalho, sua relevância no momento atual, lançando álbuns vigorosos e que tem, sim, potencial para se tornarem clássicos. Que essa desgraça de pandemia acabe logo e que possamos ver o “The Almighty Saxon” em turnê novamente!
Sergiomar Menezes







