Metal na Lata

Seu Juvenal – “Brincando com Ódio” (2020)

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Seu Juvenal “Brincando com Ódio” (2020)
Independente
#Altrock#Rock#Grunge

Para fãs de: TitãsSonic YouthMelvins

Nota: 9,0

O Seu Juvenal resolveu apostar em um som bem cru e direto neste álbum, que foi gravado ao vivo em estúdio, além de ter sido todo tratado analogicamente, conferindo um diferencial interessante à sonoridade.

Por sinal, esta opção estética acaba tornando ainda mais difícil definir o som que rola ao longo das 8 faixas de “Brincando com Ódio”, em aproximadamente 25 minutos de música rolando. Sem dúvida é rock and roll que, quando tocado ao vivo, ganha a urgência dos palcos, e faz lembrar as bandas de Rock Brasil dos anos 80, antes de se perderem nas décadas a seguir – especialmente o Titãs dos tempos de “Cabeça Dinossauro”, “Jesus não Tem Dentes no País dos Banguelas” até “Tudo ao Mesmo Tempo Agora” e, talvez, “Titanomaquia”.

Por sinal, atenção nas letras é outra característica que identifica o Seu Juvenal com o período de ouro dos Titãs, quando desfilavam letras extremamente ricas, geralmente escritas por Arnaldo Antunes. O Seu Juvenal também se sai muito bem nestes domínios, priorizando um discurso de protesto neste álbum. Sim, o nome “Igrejas” é mera semelhança com a música quase homônima dos Titãs, aqui o negócio é muito mais trampado e alternativo, o que equipara é a similaridade da voz de Bruno Bastos com a de Sérgio Britto.

Além dos Titãs, tem muito da doideira do Sonic Youth permeando a coisa toda, que, de vez em quando, descamba para um Punk HC (“Hino Nacional”), ora flerta com o Rock de um Barão dos bons tempos e Golpe de Estado de todos os tempos (“Fogo na Própria Carne”, “Bloco da Vergonha”).
Na faixa “Em Seu Sorriso Cabe o Carnaval” a banda me lembrou mais aquele som que faziam em álbuns anteriores, deixando claro que o Seu Juvenal pode ser considerada uma das herdeiras do bom rock nacional que, pelo que puxei aqui na memória, sobreviveu nas mãos de bandas como Virna Lisi, Paulo Francis Vai Pro Céu, entre outras, nos anos 90 – todas elas sempre foram muito alternativas para o Metal e muito Punk para as rádios (eles escrevem mais ou menos isso no release, e têm razão). Vida dura desses caras.

Vale a audição completa, para entender a proposta geral – a parada ao vivo e analógica – merecendo destaque a performance visceral da banda, formada por Bruno Bastos (vocal), Edson Zaca (guitarra), Renato Zaca (bateria) e Alexandre Tito (baixo). Para facilitar sua vida, o álbum tá aí, completinho, no link abaixo.

Wallace Magri

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