Black Crown Initiate – “Violent Portraits Of Doomed Escape” (2020)

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Black Crown Initiate – “Violent Portraits Of Doomed Escape” (2020)
Century Media Records
#ProgressiveDeathMetal#MelodicDeathMetal

Para fãs de: Ne ObliviscarisIn MourningOpethBarren Earth

Nota: 9,0

Pouquíssimas bandas conseguem trabalhar tão bem sua personalidade musical quanto os americanos do Black Crown Initiate. Explico, a banda vai adiante das escolhas previsíveis de quem tenta homogeneizar as
linhas elegantes e complexas do Metal Progressivo à identidade ignorante e dinâmica do Death Metal. Tão logo, o que cada um de seus trabalhos apresenta vai além das óbvias e homeopáticas doses de técnica e velocidade: e sim, efusivos diálogos melódicos, ares frescos e mosaicos harmônicos.

“Violent Portraits Of Doomed Escape” caminha pelas estradas já pavimentadas pelos álbuns anteriores, as visões que cada faixa revela não são novas, mas isso não implica em má qualidade ou numa releitura de si mesmo, pelo contrário, o que ouvimos em cada faixa é, além de belo e sinérgico, maduro, ciente, furioso e evoluído – agressão com QI e complexidade aberta à emoção. Imagine uma tela sendo partilhada por luz e escuridão; por cores vibrantes e a ausência total das mesmas. O terceiro trabalho do Black Crown Initiate, é justamente essa tela – metamorfoseando o caráter a todo instante, sem ausentar-se da intensidade e da lógica bruta que é demonstrada desde o ep “Song Of The Crippled Bull” (2013).

Tendo este raciocínio sonoro como ponto de partida e os horizontes que ele fornece à exploração, o que é ouvido no decorrer das 09 faixas é o revezar entre os diversos recursos que a banda utiliza – do Prog até à elegância do Jazz e estreitando-se junto ao disforme Avant-garde. Tudo com muito equilíbrio, intensidade, técnica e genialidade. Cada uma das faixas possui o seu desenvolver distinto do anterior, da acústica arte inicial de “Invitation”, que culmina numa sistemática brutalidade e regressa à melodia com a voz limpa de Andy Thomas. Esse contraste entre a apoteótica ira e a suavidade se repete por todo disco: “Son Of War” sendo mais direta e enérgica: “Trauma Bonds” como um peça arquitetada e multifacetada. “Years In Frigid Light” é engenharia Prog pura. As quebras e as faces que a mesma revela são cientificamente medidas, os contrastes entre ameno e complexo também.

Das porções exóticas temos “Below” e sua entoação sinistra que logo cede espaço a outra faixa de difícil explicação, “Death Comes In Reverse” – música cujo instrumental poderoso exala tensões distintas, nada óbvia e totalmente cativante – como se os genes do camaleônico mestre David Bowie o guiassem a criar uma tela de Prog Death Metal. Acordes melancólicos nos escoltam a “Sun Of War”, faixa esta recheada por quebras inusitadas e mudanças de humor. Em “Holy Silence” ouvimos o caráter aventureiro dos trabalhos anteriores, tanto do “The Wreckage Of Stars”, quanto do “Selves We Cannot Forgive”. Baixo representando a técnica, bateria impronunciável e guitarras, bem as guitarras são uma “visão” à parte aos ouvidos, riffs e solos soberbos. Algo recorrente em todo o disco. “He Is The Path” é o fim e todo fim é triste, obscuro e estranho… Deixando um gosto de quero mais, abstrato e irremediável, que perdurará até o próximo disco.

“Violent Portraits Of Doomed Escape” traz a esmera sensibilidade junto ao apuro técnico, já rotineiros ao caminho da banda. A personalidade ainda revela que há muito a evoluir e explorar – a cada lançamento, o que se ouve é uma banda com total controle sobre a sua música, criando com identidade e propriedade e mostrando que não basta ser tecnicamente perfeito, tem que haver harmonia, inteligência e transição.

Fábio Miloch

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