
Sirenia – “Riddles, Ruins & Revelations” (2021)
Napalm Records | Shinigami Records
#GothicMetal, #SymphonicMetal
Para fãs de: Tristania, Leaves’ Eyes, Lacuna Coil
Nota: 7,0
Fundada há pouco mais de 20 anos, o Sirenia é uma das pedras fundamentais da construção da imagem do gothic metal atual. Mesmo em meio a muitas idas e vindas, é louvável o trabalho do fundador e líder, o multi-instrumentista Morten Veland, em manter a banda viva, muitas vezes sozinho em meio à saída de diversos integrantes. Nessa trajetória, o Sirenia vivenciou diversos recomeços, seja com troca de gravadoras ou com as diversas alterações na formação; e dessa vez, lança seu décimo álbum de estúdio, apostando em mais uma reinvenção, para manter a chama do seu nome acesa.
“Riddles, Ruins & Revelations” é um álbum ousado dentro dos parâmetros conhecidos do Sirenia. Certas características que estiveram presentes desde o início da banda ficaram para trás, como as orquestrações colossais, os vocais rasgados de Veland, ou os corais de fundo; a aposta da vez foi nos elementos eletrônicos e industriais, na intenção de dar uma nova roupagem à banda.
A mescla é feita com bastante esmero, mantendo a atmosfera gótica das composições, mas talvez com certo exagero em alguns momentos. Em certos trechos, os elementos condutores da música são os sintetizadores e as batidas pop/eletrônicas, de modo que pode se tornar cansativo para os fãs mais adeptos da sonoridade antiga. Para uma aposta tão alta, talvez esses elementos devessem ter sido inseridos com menos intensidade, em uma transição mais suave, sem uma troca brusca de sonoridade. Em alguns momentos a ideia techno até funciona, como em como em “Beneath the Midnight Sun”, mas em vários outros se torna um pouco enfadonho. De qualquer modo, a alma do Sirenia ainda está lá.
O resultado é um álbum sólido, bem-produzido, ainda que possa se tornar um pouco chato e repetitivo em alguns momentos, pelos motivos discutidos. O ponto alto fica com a vocalista Emmanuelle Zoldan, que continua entregando um trabalho impecável. Ainda que as músicas não exijam sua capacidade máxima, a francesa entrega um show de dinâmica e interpretação, alternando do vocal pop ao operística com competência, como em “Into Infinity” e “Towards an Early Grave”, pontos altos do álbum.
Em suma, o álbum entretém, e é mediano no geral. Agrega, sim, algum valor ao nome da banda, mas talvez não tanto ao gênero que o Sirenia ajudou a construir. Se foi algo experimental ou perene, só o tempo (e a reação do público) dirá, mas o excesso certamente pode desagradar a parte mais tradicional dos fãs.
Will Menezes







