
Skid Row – “The Gang’s All Here” (2022)
earMUSIC | Shinigami Records
#HardRock, #HeavyMetal
Para fãs de: Guns N’ Roses, Motley Crue, Dokken, L.A. Guns
Nota: 9,5
O impacto de uma canção em uma pessoa é algo que a nossa vã filosofia ainda não consegue explicar. Durante os anos 80 as canções do Hard Rock impactaram toda uma geração, inclusive a versão adolescente desse que vos escreve. O tempo esqueceu algumas e transformou outras em clássicos indeléveis. Uma das bandas emblemáticas dessa época foi o Skid Row.
Com uma carreira inicial muito significativa seguida por hiatos, retornos e decisões equivocadas, a banda ressurge com um novo vocalista: Erik Grönwall (H.E.A.T., New Horizon). Completam a banda os membros originais Scott Hill e Dave “The Snake” Sabo (guitarras) e Rachel Bolan (baixo) e Rob Hammersmith (bateria) que está na banda desde 2010.
Normalmente o fã se apega não apenas à canção, mas a voz que foi o fio condutor para a importância que ela passou a ter. Por isso uma mudança de vocalista além de trazer desconforto aos fãs pode gerar um grande impacto no som da banda, pois muitas vezes há uma mudança de essência, ainda mais no Skid Row que, não importa quem seja o vocalista, sempre haverá a sombra de Sebastian Bach o assombrando.
Mas Erik é um vocalista “one in a million”. Ele não apenas caiu como uma luva, mas deu oportunidade à banda de voltar às origens sem se autoplagiar. A divulgação de seu nome fez surgir nos ávidos fãs uma tremenda expectativa de reviver os áureos anos da Sunset Strip e da banda continuar de onde “Slave To The Grind” parou. Mas será que eles conseguiram?
Para esse que vos escreve, pertencente a uma certa safra antiga, os dois primeiros álbuns do Skid Row foram absurdamente impactantes e, mais de trinta anos depois, o novo álbum prova que ainda há muita lenha para queimar e que o talento de Erik realmente é capaz de escrever uma nova página crucial na história do grupo.
O álbum começa em alta velocidade como uma besta enfurecida rugindo aos quatro cantos com “Hell or High Water”, abertura a la “Still Kicking” do Danger Danger. Introdução, guitarra, melodia, refrão… tudo aqui grita Skid Row! O cartão de visitas de Erik e da banda não poderia ser melhor!
E não para por aí! A inspirada música título, outro petardo impressionante, traz o som antigo dos Skids com uma roupagem mais atual. Pensa que agora eles pararam o ataque? De forma alguma! O rolo compressor de “Not Dead Yet”, com seu riff a la Guns & Roses e uma possível mensagem para os “haters”, o “baixão” da sombria e cativante “Time Bomb”, a alta octanagem de “Ressurected”, a incendiária “Nowhere Fast”, a cativante “When The Lights Come On”, a brutal e insana “Tear it Down”, a intensa e emocional “October’s Song” e a bombástica “World on Fire”, com seu riff a la “Forever”, destroem tudo o que veem pela frente sem deixar pedra sobre pedra!
Resumo da ópera: músicos energizados (a comunhão deles é excelente!), produção acima da média, a cargo de Nick Raskulinecz (Rush, Foo Fighters, Evanescence, Stone Sour, Halestorm, Alice in Chains, Velvet Revolver), ótimas canções e um vocalista (e que vocalista!) sensacional e com identidade própria. Se em tão pouco tempo eles fizeram tudo isso, imagino o que farão daqui para frente.
Os Skids lançaram um álbum que não tira o olho do retrovisor, mas segue em frente descortinando o futuro da banda. Respondendo a pergunta do início da resenha: Sim! Eles conseguiram! “The Gang’s All Here” é facilmente um dos melhores álbuns do ano.
João Paulo Gomes









