
Slayer – “Repentless Killogy: Live At The Forum In Inglewood, CA)” (2019)
Nuclear Blast | Shinigami Records
#ThrashMetal
Para fãs de: Venom Band, Overkill, Kreator, Sodom
Nota: 8,0
Ser imparcial é uma tarefa árdua na vida de um crítico musical, pois, queiram ou não, é a opinião pessoal que está em voga e, por mais imparcial que ele seja, não tem como não haver certa “parcialidade”. Quando a crítica é sobre uma de suas bandas favoritas, e ainda por cima vai para um trabalho ao vivo, a coisa complica ainda mais; principalmente em se tratando de uma instituição do Thrash Metal mundial como o Slayer, cujos lançamentos são sempre envoltos de ansiedade e histeria.
Pois bem, “Repentless Killogy: Live At The Forum In Inglewood, CA” foi gravado há quase dois anos e só agora vê a luz do dia como um DVD/Blu-ray e CD duplo (foco desta resenha, pois não tivemos acesso ao vídeo ainda), vendidos separadamente.
A capa e os gráficos ficaram a cargo do experiente designer brasileiro Marcelo Vasco, que, mais uma vez, deu um show de profissionalismo. Sobre o som, não sou técnico, muito menos entendedor de produção e mixagem, portanto vou falar única e exclusivamente como ouvinte, fã e crítico do trabalho finalizado, ok?
Como foi gravado há dois anos, o frenesi de que a banda iria encerrar as atividades ainda não tinha sido exposto e o repertório que a banda tocava na época sofreu algumas mudanças pequenas nos anos seguintes, na minha opinião, para melhor.
Minha pergunta é: não seria melhor ter gravado um dos últimos shows da turnê de 2019 em vez de lançar um material “antigo” e, com isso, conseguir produtores e profissionais mais top de linha para registrá-lo dignamente para a posteridade? Seria mais sensato e chamaria ainda mais atenção.
O que temos agora em mãos é um show estupendo, mas que peca um pouco pela qualidade sonora principalmente na bateria apagada (comprimida e processada demais na mixagem, o que exime totalmente Paul Bostaph de qualquer culpa) e nas guitarras de Kerry King e Gary Holt, abafadas e graves, não tão na cara como deveriam. Já os vocais e o baixo de Tom Araya estão ótimos e sem problemas.
Atrapalha ou condena o lançamento? De forma alguma, pois a crueza do som da banda é bem apreciada por quem realmente é fã, mas não tem como não dar aquela pequena brochada se o compararmos ao soberbo “Decade Of Aggression” (1991). Aliás, deixo aqui uma dica: antes de ouvir esse novo trabalho, “esqueçam” o “Decade Of Aggression”, pois assim a audição será mais bem digerida (risos). Chega a parecer desleixo permitir uma sonoridade dessas em pleno 2019, mas, como disse, em minha opinião, não me incomodou. Mas que eles perderam uma chance de fazer algo memorável, perderam, e isso é um fato. Só nos resta saber como estará o som do DVD/Blu-ray.
Alguns ótimos momentos desse álbum ao vivo se sobressaem como, por exemplo, a abertura “cavala” com a introdução sinistra de “Delusions Of Saviour” emendando com “Repentless”! Quem esteve presente nos show da banda esse ano em São Paulo e no Rock In Rio sabe do que estou falando. A quina infernal e insana com “The Antichrist” (faltou no show em São Paulo!), “Disciple” (que peso!), “Postmortem”, “Hate Worldwide” e “War Ensemble”, o miolo demoníaco com “Mandatory Suicide”, “Hallowed Point”, “Dead Skin Mask” (essa sempre arrepia todos os fios de cabelo do corpo), e o desfecho matador com “Seasons In The Abyss”, “Hell Awaits” (essa sempre vai sangrar nossos ouvidos, independentemente da qualidade do áudio), “South Of Heaven”, “Raining Blood” (um pouco apagado o início da bateria pelo que já foi citado antes), “Chemical Warfare” e o hino dos hinos Thrash, “Angel Of Death”.
As outras faixas mais antigas e as restantes de “Repentless” (2015), a saber, “Born Of Fire”, “Bloodline”, “When The Stillness Comes”, “You Against You” e “Cast The First Stone”, respectivamente ficaram um pouco apagadas por conta de todos os clássicos presentes entre elas, mas valem como registro e não fazem feio, mesmo eu achando “When The Stillness Comes” bem fraquinha em estúdio.
Finalizando, um trabalho que poderia ser mais bem estruturado, ter uma logística de gravação melhor, profissionais melhores (sem menosprezar os que foram contratados para tal, mas o barato saiu caro nesse caso), mas que não ofende nem machuca ninguém ouvi-lo no volume máximo. Se é ou não um trabalho digno para se finalizar uma carreira vai de cada um. Não vejo a hora de colocar minhas mãos no Blu-ray, que conterá um mini filme de mais de 40 minutos de duração, baseado nos últimos videoclipes de “Repentless”, e o foco principal, essa nova “missa negra” ao vivo.
Agora, se você não é técnico de som nem nada e te machuca a qualidade de som lançada aqui no CD, me desculpe, chore para outro (risos).
Johnny Z.





