Sorcerer: de Estocolmo para o mundo, Doom Metal do mais alto nível
Apesar de pouca gente se dar conta disso, Doom Metal nasceu ao mesmo tempo que o Heavy, sendo seu marco zero a faixa título do debut homônimo do Black Sabbath. Ou seja, trata-se de um gêmeo bivitelino que, ao contrário do seu irmão que tornou-se famoso, sofrera rejeição. Desde que o Black Sabbath estava em seu início, já era possível notar que o Doom é o subgênero mais sombrio do Metal. Faixas como, “Black Sabbath”, “Eletric Funeral”, “Lord Of This World”, assim como “Under the Sun”, demonstravam o poder de composições mais arrastadas e de riffs macabros.

Primordialmente, “I Want You (She’s So Heavy)” do álbum Abbey Road dos Beatles merece citação como proto-Doom. A banda americana Pentagram, que só lançou seu primeiro registro oficial em 1985, ainda assim, teve grande influência na formação desse subgênero. Em menor grau, Black Widow, Toe Fat, Iron Claw, Night Sun e Zior tiveram importância.
Anos 80 e a segunda onda do Doom Metal
Durante a década seguinte, uma nova geração de bandas chegou ao propósito de consolidar o Doom Metal como subgênero. Em primeiro lugar, na NWOBHM, a banda Witchfinder General lancou Death Penalty, seu disco de estreia. Enquanto isso, na América, Trouble fazia sua estreia com Psalm 9 e Saint Vitus com seu debut homônimo, ambos em 1984.
Em 1986, a onda chegou a Suécia, já que nesse ano houve o lançamento de Epicus Doomicus Metallicus, primeiro álbum do Candlemass. Dois anos mais tarde, na mesma cidade, Estocolmo, nasceu o quinteto Sorcerer, a princípio, com o seguinte line-up: Johnny Hagel (baixo), Mats Liedholm e Peter Furulid (guitarras), Anders Engberg (vocal) e Tommy Karlsson (bateria). Sobretudo, essa é a história interessante que deve ser contada nesse artigo.
A primeira era do Sorcerer (1988 a 1992)
Quatro lançamentos marcam o primeiro período de atividades do Sorcerer, que durou de 1988 até 1992. As demo-tapes, Sorcerer (1989), The Inquisition (1992), e, da mesma forma, as compilações, Sorcerer (1995) e Heathens from the North (2004), contém tudo o que o quinteto registrou em seus primeiros anos de exitência.
O baixista Johnny Hagel deixou a formação logo após o lançamento da demo The Inquisition e a banda encerrou suas atividades temporariamente.
A segunda era do Sorcerer (2010 em diante) – In the Shadow of the Inverted Cross/Black

Após um hiato de 18 anos, em 2010, Sorcerer anunciou o retorno as atividades. No entanto, mais cinco anos foram necessários para o lançamento do primeiro full lenght, o interessante In the Shadow of the Inverted Cross (2015), que saiu pela Metal Blade Records.

Além dos membros remanescentes, Anders Engberg (vocal) e Johnny Hagel (baixo), o primeiro disco contou com os seguintes membros: os guitarristas Kristian Niemann e Peter Hallgren, que atualmente seguem na formação, e o baterista Robert Iversen. Em outras palavras, uma discografia sensacional acaba de começar, muitos anos depois.
Em seguida, ainda no mesmo ano e com o mesmo line-up, saiu o EP Black pelo selo Desert Plain Records.

The Crowning of the Fire King (2017)

Com as raízes do Doom Metal tradicional ainda bem latentes, mas em busca de ampliar seu universo, segundo full lenght mostrou uma musicalidade que tinha muito a crescer. “Sirens”, “Ship of Doom”, “Abandoned by the Gods” e a faixa título mostram um nível que, certamente, deixou os ouvintes atônitos. A pergunta mais correta nesse caso é: como uma banda desse calibre demorou tanto a surgir?
Lamenting of the Innocent (2020)

Logo depois do lançamento de The Crowning of the Fire King, Johnny Hagel deixou a função de baixista e passou a ser o seu compositor oficial. Justin Biggs foi mais que seu substituto, pois algumas canções ganharam a adição de vocais guturais, fato que fez com que a música do Sorcerer crescesse mais e mais.
“The Hammer of the Witches”, “Lamenting of the Innocent”, “Where Spirits Die” e “Condemned”, principalmente essas, mostram uma banda a fim de atingir níveis mais altos. A qualidade da dupla de guitarristas (Kristian Niemann e Peter Hallgren) e grandiosidade vocal de Engberg tornaram Sorcerer uma banda impossível de ignorar quando o assunto é Doom Metal. Nota 10/10 nesse acaso é obrigação moral.
Reverence (EP 2021)

Entre 2020 e 2022, o mundo vivia os horrores da pandemia de COVID-19 e, nesse hiato, muitas bandas, que se afastaram dos palcos, homenagearam suas influências musicais através de covers. Saxon e Deep Purple gravaram álbuns completos, ao passo que Sorcerer gravou um EP com versões que parecem ter sido escolhidas a dedo.
“Gates oF Babylon” (Rainbow), “When Death Calls” (Black Sabbath), “Crusader” (Saxon) e “Waiting For Darkness” (Ozzy Osbourne) promoveram momentos de diversão, ainda que diante de um mundo caótico.
Reign Of The Reaper (2023), o Magnum Opus do Sorcerer

Confesso que antes do lançamento de Reign of the Reaper, imaginei que Sorcerer não conseguiria manter a curva crescente de qualidade de seus trabalhos, contudo, eu estava absurdamente enganado. Assim que saiu o primeiro single, “Morning Star”, fiquei sem palavras. Reagi dessa forma também com a audição da faixa título, “Reign of the Reaper”, que foi o segundo single.
Quando finalmente tive acesso ao material completo, ouvi uma, duas, três, dez, quinze, dezenas e centenas de vezes. Surpreendentemetne, Sorcerer conseguiu, outra vez, elevar o nível de sua musicalidade. Aliás, há quase três anos esse disco saiu e ainda não consegui parar de ouvir, pois é simplesmente viciante. “Thy Kingdom Will Come”, “Eternal Sleep”, “Curse of Medusa”, “Unveiling Blasphemy”, “The Underworld” e “Break of Dawn”, minha favorita, completam um trabalho sem uma única composição abaixo.
O quinto álbum sairá ainda em 2026?
Recentemente, Sorcerer começou a divulgar atualizações sobre o sucessor do fantástico Reign Of The Reaper, inclusive, com direito a spoiler do trecho de um potencial single. Quem me conhece pessoalmente, sabe que Sorcerer tornou-se a minha banda favorita dentro do Doom Metal, agora, portanto, não é mais segredo para ninguém. Decerto, isso se deve a sequência matadora de seus lançamentos através dos últimos onze anos.
Mesmo assim, acho difícil que a banda consiga manter a mesma constância ou mesmo se superar mais uma vez, entretanto, tampouco vou duvidar novamente. Finalizando por agora, se você por acaso ainda não conhece Sorcerer, não espere mais nenhum segundo para fazê-lo, pois valerá demais à pena para você.






