
Soulsad – “Two Funerals” (2018)
Independente
#MelodicDoomDeathMetal, #FuneralDoomMetal, #BlackenedDoomMetal
Para fãs de: Forest of Shadows, Bethlehem, Katatonia (antigo)
Nota: 9,0
O Underground brasileiro é de uma riqueza e produtividade sem igual, são incontáveis bandas dos mais diversos gêneros e subgêneros que saem dele todos os dias, todas acima da média tanto em qualidade, quanto em criatividade, as dificuldades existentes, junto aos múltiplos revezes servem como combustível, motivando a paixão dos músicos e os incentivando a produzir, mantendo assim, a chama acesa.
A Soulsad existe desde 2003, mas por diversos motivos foi sendo engavetado, até que nesse ano Rafael Sade (vocais e teclados) e Daviid Amorim (guitarra, baixo e bateria) resolveram findar o tempo de hibernação da banda, lançando um dos melhores trabalhos de Doom Metal do ano, “Two Funerals”, que embora seja um Ep, consegue ilustrar bem o talento da dupla, além de colocar o Soulsad como um nome promissor para a cena.
As várias influências do duo tornam o trabalho riquíssimo em sonoridades, indo do Melodic ao Black, passando pelo Funeral Doom e estacionando no Dark Metal. Há uma aura noventista que permeia o trabalho, deixando ele com cores nostálgicas e saudosistas, ecos de bandas como Tristitia, Empyrium, Anathema e Lacrimas Profundere ( as duas últimas citadas de suas fases relevantes ao Doom metal) são ouvidos, mas vai além, pois as influências são vestidas com as características pessoais da dupla, não ficando com ares datados, pelo contrário, como se fosse uma visita ao passado ou até mesmo uma atualização.
No decorrer das audições, por vezes me peguei refletindo sobre o Modelo Kübler-Ross ou Os 5 Estágios Do Luto ( negação, raiva, barganha, depressão e aceitação), pois o personagem principal discorre sobre seus sentimentos e nos coloca frente a frente com suas frustrações, suas saudades e amarguras, somos movidos para seu mundo de dor e desolação, onde ficamos a contemplar um espaço vazio que não pode mais ser preenchido, como um lugar vago na mesa a espera de alguém que não mais regressará. “Two Funerals não fala apenas de saudade, ele é a saudade musicalizada.
Fábio Miloch





