SteelHeart – “Through Worlds of Stardust” (2017)
Frontiers Music
#HardRock, #HeavyMetal, #GlamMetal
Para fãs de: Steel Dragon, FireHouse, Skid Row, Mark Slaughter, White Lion
Nota: 8,0
Por mais legais que sejam — OK, nem tanto, depende do humor no dia — “Wait” (1996) e “Good 2B Alive” (2008) não são aqueles discos que pedem um repeteco frequente. Talvez, se juntássemos os melhores momentos de ambos, teríamos em mãos o trabalho acima da média que o Steelheart ficou devendo desde a milagrosa volta por cima de Miljenko Matijevic. Passadas mais de duas décadas desde o seu despertar, o velho Mili sentiu o peso da responsabilidade nos ombros e, acompanhado por Uros Raskovski (guitarra), Rev Jones (baixo) e Mike Humbert (bateria), pôs na praça este “Through Worlds of Stardust”, que reafirma o compromisso da banda com a consistência e a qualidade do centro à borda externa do CD.
Pra começo de conversa, o inconfundível agudo de Mili irrompe nos alto-falantes como um chamado à ordem. A partir dele, desenvolve-se “Steam Line Savings”, que não vacila se tomada como representante do som do Steelheart no novo milênio: uma investida sonora pesada e sem medo de lançar mão de recursos do Industrial, acrescentando camadas e camadas de efeitos — inclusive nas vozes, às vezes desnecessários — e overdubs visando ao ouvinte que legitima a evolução do artista quando esta se dá de maneira orgânica, sem forçação de barra ou centenas de inputs externos. Mas o passado não foi de todo descartado, e momentos como o refrão de “Come Inside” e “My Word” não deixam dúvida quanto à origem farofeira do grupo que até disco de ouro já faturou em tempos remotos.
Da estrutura às rimas, “You Got Me Twisted” é a obviedade em forma de balada. E por falar em balada, ela dá início à uma sequência feita sob medida para os corações de margarina: “Lips of Rain”, de cuja letra provém o título do álbum, e “With Love We Live Again”, que recorre à combinação vitoriosa de violão, arranjo de cordas e uma letra que Jon Bon Jovi poderia ter escrito — e se o tivesse feito, dependendo da época, era hit na certa. “Got Me Runnin’“ devolve o rock brabo para a linha de frente, e, mais uma vez, o refrão sobressai.
Na dobradinha final, temos tanto um raio-x da alma de Matijevic com a, ao que tudo indica, autobiográfica “My Freedom” e a voz do cara acompanhada por nada além de um piano na emotiva, resvalando no brega, declaração de amor de “I’m So in Love with You”. Pela quantidade de baladas em um só álbum, isso ficou bem claro! Considere paga a dívida, Mili.
Marcelo Vieira





