Stoned Jesus – Clash Club, São Paulo/SP (19/08/2017)

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Stoned Jesus
Bandas de abertura: Red Mess e Cobalt Blue
Local: Clash Club, São Paulo/SP
Data: 19/08/2017
Produção: Abraxas

Por Ricardo L. Costa

Um sábado chuvoso, frio e pouco convidativo. Após um dia de trabalho exaustivo, era hora de mais uma missão: cobrir a segunda passagem do Stoned Jesus por nossas terras. Apesar de não estar divulgando nenhum lançamento recente, a banda saiu em turnê, prometendo executar na íntegra seu álbum mais aclamado, o poderoso “Seven Thunders Roar”. E lá fomos nós em direção ao Clash Club para mais um belo evento.

Haveria duas bandas de abertura. Os paranaenses do Red Mess e os catarinenses do Cobalt Blue foram convocados para dar início aos trabalhos e aquecer o público para a atração principal, e o fizeram muito bem, diga-se. O Red Mess é um trio que aposta num Stoner Metal com as raízes fincadas nos primórdios da coisa, onde uma formação minimalista conseguia extrair sentimento, emoção de verdade, de seus poucos recursos disponíveis. Confesso que, apesar de ser um entusiasta dessa vertente do Metal, nunca havia prestigiado uma noite dedicada exclusivamente ao estilo.

Como sou frequentador de eventos mais dedicados à música extrema, onde a platéia se exalta pra valer, oferecendo até risco as suas próprias integridades, imaginei que um espetáculo Stoner/Doom fosse mais ameno, propício a se admirar os detalhes e toda a atmosfera pertinente ao gênero, e avesso a manifestações mais inflamadas do público. Ledo engano, meus queridos.

A molecada do Red Mess incendiou o recinto logo no início. Apesar da pouca idade, os rapazes pegam pesado, muito pesado, no seu Stoner de forte acento setentista. Distorção dominando o set, inclusive encobrindo o vocal em alguns momentos, energia absurda e performance insana de palco. Apresentaram músicas de seu álbum de estréia, “Into the Mess” (2017), infelizmente disponível apenas em plataformas digitais, com destaque para “Desillusion”, embora todo o show tenha sido impecável. Ganharam mais um fã ardoroso. O público pedia por mais, mas a banda precisa se retirar para cumprir com o cronograma, e foi aí que adentrou ao palco o pessoal do Cobalt Blue. Investindo em uma sonoridade mais abrangente, embora sua estrutura primordial seja o Stoner, o quinteto impressionou e arrebanhou novos fãs. Contando com a presença de um percussionista (que estava empolgadíssimo, diga-se de passagem), também responsável pelos sintetizadores, a banda cria uma música envolvente, repleta de texturas variadas, efeitos e improvisos, além de forjada em peso real e orgânico, onde pudemos perceber influências de Space Rock, Progressivo, Doom, e até algo de Jazz e Blues, ou seja, tem potencial pra agradar vários tipos de público. Extremamente carismáticos, desenvolveram um set curto, mas muito eficaz, com destaque para a excêntrica “Dweller of the Sevenfold”. Uma grata revelação e uma banda a ser conhecida e admirada.

Um curto intervalo separava os coadjuvantes dos protagonistas, Stoned Jesus. A galera já se encontrava espremida na frente do palco. À esta hora, a pista já estava repleta e, ao coral de “Jesus Chapado, Jesus Chapado, Jesus Chapado…”, adentra ao palco a atração mais esperada do evento. O trio ucraniano é uma formação de grande relevância no meio e apresenta um séquito bastante fiel de fãs.

Dando início ao set com a longa e densa “Stormy Monday”, a banda leva (e eleva) o público ao êxtase. Impressionante como todos cantavam e acompanhavam cada estrofe, demonstrando um carinho muito grande para com a banda. Um breve intervalo, o vocalista/guitarrista Igor Sidorenko (que é a cara do John Frusciante, ex-guitarrista do Red Hot Chili Peppers, só que depois da ceia de Natal) apresenta a banda e agradece muito cordialmente a presença de todos, que voltam a entoar o já conhecido “Jesus Chapado”, que fez o frontman indagar se aquelas eram boas palavras, arrancando riso dos presentes.

“Bright Like the Morning” surge na sequência com sua calmaria inicial, que se desenvolve em um Stoner Rock dos melhores. A platéia se exaltava cada vez mais, cantando tão alto e intensamente, que ofuscava quase totalmente a voz de Igor. Euforia em níveis estratosféricos e, a essa hora, eu já havia sido inexoravelmente açoitado por um verdadeiro chicote de cabelos de uma moça visivelmente empolgada com o espetáculo que estava posicionada logo atrás de mim. Coisas do mundo mágico do Rock.

Clima agradável, banda afiada, e público dominado por uma empolgação crescente. O Stoned Jesus consegue soar ainda melhor ao vivo, realçando ainda mais seu já maciço peso. Sem muitas delongas, partem para “Electric Mistress”, dando sequência ao plano de tocar “Five Thunders Roar” na íntegra. Apesar de um tanto tímida, a interação entre público e banda era genuína, mas um pequeno incidente infelizmente estava para ocorrer, o que comprometeria o bom andamento do espetáculo.

Em “Indian”, já com a platéia em mãos, embalados em um ambiente de peso e melodia, uma garota um tanto alterada sobe ao palco, interage com a banda, canta ao microfone, dança sensualmente e, acidentalmente, danifica o pedal do baixista, que fica visivelmente aborrecido com o ocorrido.

Começam ali os problemas, pois com o equipamento danificado, a boa sonoridade do instrumento poderia ser prejudicada. Ainda assim, após uma pequena pausa para tentar sanar a ocorrência, continuaram com “I’m the Mountain”, um de seus maiores clássicos. Os presentes vão à loucura, e foi aí que, como dizia minha saudosa e estimada vózinha, o caldo entornou.

A mesma fã eufórica, ainda mais “fora de esquadro”, subiu ao palco novamente, colidindo com o guitarrista, pisando em sua pedaleira, derrubando o pedestal e causando um considerável transtorno. Visivelmente irritados com a situação, os músicos deixam o palco imediatamente, sem nem conseguirem concluir a música.

O segurança do local ainda tentou conter a moça, só que foi em vão. Vários fãs indignados com a situação começaram a protestar. Movendo um coro de “Jesus, Jesus, Jesus” em uníssono, como quem clamava por um milagre, e aí eis que, após uns bons minutos, a banda retornou. Igor, seu líder, já mais calmo, explica a todos que voaram por muitas horas a fim de proporcionar um bom espetáculo aos fãs brasileiros, e que os amava.

Considerações feitas, “climão” amenizado, encarnaram “Here Come The Robots”, primeira faixa de seu último álbum, “The Harvest” (2015). Concluída a canção, retiraram-se rapidamente do palco, para não mais voltar. Mesmo após a insistência dos fãs, que não arredaram o pé, mesmo após o encore implorando por “Black Woods” (maior clássico da banda presente em seu álbum de estréia, “First Communion”, de 2010), não teve jeito. As portas se abriram e as luzes se acenderam. Lamentavelmente, era o fim.

Frustração? Decepção? Longe disso. Apesar do tempo reduzido (o set mal chegou a 1 hora), enquanto esteve em ação, a banda deu o seu melhor. Obviamente, queríamos mais, muito mais, mas com os ânimos alterados, tornou-se impossível. Não estou aqui para julgar a atitude precipitada da fã, afinal, essa é uma resenha de um concerto musical, e nesse aspecto, a apresentação foi impecável, com as três bandas dando suor, sangue e a alma para entreter a todos que ali estavam.

Um grande espetáculo de Stoner Metal, que certamente ficará na memória dos fãs por muito tempo. Nossos efusivos agradecimentos à produtora Abraxas pela parceria e consideração, e a todos os envolvidos na organização deste magnífico evento. Até a próxima!

Setlist Red Mess:

1. “Raskólnicov
2. “Enemies”
3. “Kork”
4. “Into the Mess”
5. “Desillusion”
6. “Snowglasses”

Setlist Cobalt Blue:

1. “All We Have a Oscillations”
2. “Dweller of the Sevenfold”
3. “Bereaved”
4. “Cataclysm”
5. “Luciferase”
6. “Catalyst”
7. “The Eloquent Bawl”

Setlist Stoned Jesus:

1. “Stormy Monday”
2. “Bright Like The Morning”
3. “Electric Mistress”
4. “Indian”
5. “I’m the Mountain”
6. “Here Come The Robots”

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