
Stryper – “God Damn Evil” (2018)
Frontiers Music
#HeavyMetal, #HardRock
Para fãs de: Judas Priest, Dokken, Sweet & Lynch, Accept
Nota: 9,5
Um dos maiores workaholics no metal dos últimos tempos atende pelo nome de Michael Sweet. Em 5 anos já lançou 8 álbuns entre os do projeto Sweet and Lynch, carreira solo e Stryper e, sem mostrar sinais de cansaço ou fadiga, já tem mais um item para a lista, “God Damn Evil”. Seja por seu título que causou forte controvérsia entre uma parcela mais conservador de seus fãs religiosos, seja pela (nova) separação com o agora ex baixista Tim Gaines e todo o desgaste que isso gerou, este era um álbum bem aguardado.
Não é muito segredo que Michael quer se afastar de vez daquele passado meloso e frufru dos anos 80, trilhando caminhos mais e mais pesados e cadenciados. Uma prova que essa parece uma via sem volta para banda já vem na faixa de abertura. “Take It To The Cross” nos trás reminiscencias de “Children Of The Grave” em sua estrutura até chegar num refrão que você pode decidir se é algo mais voltado a Rob Haldford ou a Detonator do Massacration, só não pode negar que foi surpreendente. Aliás, falando em surpresa, quem imaginaria que o Stryper teria gutural em alguma música sua? Pois aconteceu no final da música já citada e é uma cortesia de Matt Blanchard (Act Of Defiance, Shadows Fall).
Uma das especialidades da banda é fazer refrões que arrepiam seus ouvintes e já ativam aquele pensamento de “preciso cantar isso”. “Sorry” é um desses exemplos, com seu refrão bem radiofônico. “Own Up” também é das que contagiam e o uso de cowbell casou muito bem.
Aos que como eu estavam curiosos sobre como Perry Richardson (FireHouse) ia soar tocando com o Stryper, é decepcionante saber que o músico acabou não gravando as linhas de baixo, tarefa essa tal ficando a carga de John O’Boyle, que acompanha Michael Sweet em sua carreira solo. Mas o músico deu conta do recado com excelentes linhas, inclusive tendo o instrumento bem destacado na faixa “Lost”.
Num contexto geral, é fácil assimilar que a nova proposta do Stryper são composições cadenciadas que ainda mantém suas particularidades, não soando como cópias em carbono uma da outra. “God Damn Evil” é mais hardeira, enquanto “The Valley trás uma influência de “Heaven and Hell”, principalmente pelo baixo a lá Geezer Buttler.
Quem esperava uma sequência de “No More Hell To Pay” e “Fallen” (fomentada principalmente pela similaridade de elementos das capas) encontrará um trabalho independente e diferenciado. Ainda temos um Oz Fox soberbo nas 6 cordas, tratando sua guitarra como um verdadeiro cavalheiro, um Robert Sweet correto como o cronômetro visual que ele é conhecido. Sobre Michael Sweet, o que falar? Cantando como nunca, sabendo moldar seu principal instrumento de trabalho para não ficar tão prejudicado com o passar dos anos.
Diferente de boa parte do material apresentado em “God Damn Evil”, a faixa “The Devil Doesn’t Lies Here” não tem nada cadenciado, pelo contrário. Não chega a ser uma “More Than a Man” ou “The Reign”, mas é uma bela pedrada e que encerra dignamente este álbum.
Sobre a produção, posso estar sendo enganado pela minha memória, mas não me lembro de um trabalho deles com o baixo tão em destaque assim. Seria uma alfinetada ao antigo dono do posto (risos)? Por conta disso mesmo, as guitarras não aparentam estar tão visadas, perdendo um pouco do brilho, mas ainda sim estão lá firmes e fortes.
“Márllon, e as baladas? Tem ou não tem?”. Tem sim, caro leitor, e apesar de não ser tão marcante quanto as outras já feitas na discografia da banda, “Can’t Live Without Your Love” marca território no campo das faixas “mezzo água mezzo açúcar”, dando aquela chance para uma dança coladinha bacana com a sua metade
Sendo bem direto e franco com vocês, “God Damn Evil” quase que não dá pra falar que é um trabalho do Stryper, porém ao mesmo tempo você sabe que é algo que tem a assinatura e DNA dos abelhudos. Mais um trabalho de excelência caminhando para o futuro na estrada pavimentada pelo aprendizado do passado.
Márllon Matos





