Survivor – “Too Hot to Sleep” (1988)

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Survivor – “Too Hot to Sleep” (1988)
Scotti Bros. | Rock Candy Records
#MelodicRock#AOR

Para fãs de: JourneyKansasEurope

Nota: 9,0

O terceiro álbum do Survivor com Jimi Jamison nos vocais e último compromisso contratual da banda com a Scotti Bros. Records é o mais hard rock de sua discografia. Em “Too Hot to Sleep”, a guitarra de Frankie Sullivan assume a dianteira em pelo menos metade do repertório, provocando reações adversas no público que três anos antes havia levado o muito mais açucarado “Vital Signs” (1984) a conquistar disco de platina. Tendo em vista isso e dado o fato do notavelmente menos apaixonado e de certa forma mais reflexivo e introspectivo “When Seconds Count” (1986) ter fracassado em repetir a dose, a gravadora apostou forte nas composições guiadas pelos teclados de Jim Peterik, lançando “Didn’t Know It Was Love”, “Across the Miles” — um lance meio “Carruagens de Fogo”, inclusive na temática de superação de desafios pessoais — e “Desperate Dreams”, três baladas de arena, como singles.

Por mais que a trinca tenha seu valor histórico e lugar garantido no coração dos fãs que conhecem o Survivor muito além de “Eye of the Tiger” e “Burning Heart”, a própria banda meio que desprezava — e ainda despreza — essa fatia de alto teor comercial em seus shows, priorizando a aeróbica “Can’t Give Up”, o facho blueseiro “Burning Bridges” — curiosamente as duas últimas do lado B do LP — e “Rhythm of the City”, cujo principal mérito é ser a favorita deste que vos escreve.

Fora da raia dos singles e dos xodós da banda, “She’s a Star” consiste no momento mais pesado do Survivor fase Jamison e a faixa que dá nome ao disco cativa no refrão estrondoso onde guitarras e teclados se alternam no comando até as seis cordas reinarem absolutas num forte candidato a melhor solo já gravado por Sullivan. Uma pena que tenham sido necessários mais de trinta anos, enegrecidos pela morte prematura de Jamison em 2014, para que “Too Hot to Sleep” agregasse mais defensores do que detratores e se livrasse do estigma de clássico cult que não casa com uma banda cujas vendas superam a casa dos milhões de cópias em todo o mundo.

Marcelo Vieira

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