
Sweet Oblivion feat. Geoff Tate – “Sweet Oblivion” (2019)
Frontiers Music | Hellion Records Brazil
#HeavyMetal, #MelodicMetal
Para fãs de: Queensrÿche, Savatage, Fifth Angel
Nota: 9,5
Partiu do diretor executivo da Frontiers Records, Serafino Perugino, a ideia de colocar Geoff Tate em contato com o multi-instrumentista italiano Simone Mularoni para juntos gravarem o que, numa realidade paralela onde a fase Todd LaTorre não existe, seria o álbum pelo qual os fãs do Queensrÿche aguardam há mais de uma década. Vale também para aqueles que já haviam perdido a esperança de ouvir o velho Tate cantando em coisas que não fossem dignas de muito além do sentimento de vergonha alheia.
Algumas das músicas presentes neste Sweet Oblivion são uma espécie de reminiscência do Queensrÿche mais antigo — “True Colors” tem algo de “Walk in the Shadows”, a faixa título lembra um pouco “Breaking the Silence” e “My Last Story” é como uma “The Thin Line” com refrão acelerado, fora um riff ou outro que soem familiares —, mas a grande semelhança fica por conta das timbragens, que parecem emular a guitarra de Chris DeGarmo e Michael Wilton e o baixo de Eddie Jackson. Isso sem contar o fato de o baterista Paolo Caridi tentar incessantemente imprimir uma assinatura a la Scott Rockenfield em suas levadas.
O fraseado, muitíssimo inspirado em DeGarmo/Wilton, também há que ser considerado. Por mais que inúmeras vezes os solos descambem para o lado masturbatório da coisa — ouça “The Deceiver” —, dobras como a da introdução de “A Recess from My Fate” são capazes de nos fazer imaginar aquela que foi uma das duplas de guitarristas mais importantes da história do heavy metal.
Diante de toda a dificuldade relatada por Mularoni em recente entrevista ao The Metal Voice — Tate teria gravado seus vocais no ônibus da turnê, obrigando Simone a desempenhar um verdadeiro milagre na mixagem e masterização dos arquivos, entre outras tretas envolvendo, inclusive, a esposa do vocalista — e do fato da dupla ter cortado relações com o álbum ainda na fábrica, é bem provável que não haja uma continuação. Não com Geoff. Resta-nos, portanto, curtir esse, que é um dos melhores álbuns de 2019, com afinco e no volume máximo. Sabe-se lá quando ouviremos Tate cantando em músicas que prestem novamente?!
Marcelo Vieira





