
Temperance – “Viridian” (2019)
Napalm Records
#PowerMetal, #SymphonicMetal
Para fãs de: Amaranthe, Delain
Nota: 8,5
Em mais um passo dado em direção ao afastamento musical com o Amaranthe, os italianos do Temperance entregaram um trabalho com doses certeiras de ousadia, como uma ode ao gospel americano, uma canção de natal e inserções folk ao estilo Nightwish atual. O lado negativo é o excesso de camadas de teclados, coros e vozes que quase sufoca o ouvinte, mas que não compromete o resultado como um todo. Um dos pontos de destaque é a dupla de vocalistas Alessia Scolletti e Marco Pastorino dão aula de entrosamento, com timbres complementares e mantendo a pegada positiva e “pra cima” em todos os momentos.
Se o instrumental peca pelo excesso, muitas músicas merecem destaque, como “My Demons Can´t Sleep” (excelente título!), que ganharia muito caso a banda não fosse com muita sede ao pote. Exemplos mais convincentes são Let It Beat, onde vemos mais a suavidade do timbre de Alessia, e The Cult Of Mistery, que começa a 100 por hora, dessa vez com a linha de voz mais aguda remetendo ao Nightwish da época do “Oceanborn”, quando a banda ainda flertava com o Power Metal.
Para o final do disco, a banda reservou os momentos mais inusitados: primeiro a épica “Nanook” vem com uma pegada Folk ao estilo Visions of Atlantis com direito a coro de crianças. Já Gaia é a genuína balada do disco que lembra trilhas sonoras da Disney. No final, a curta “Catch The Dream” surpreende o ouvinte no apagar das luzes, pois se trata de uma música que lembra os melhores momentos do gospel dos EUA, com direito a palminhas e coro no fundo. E quando pensamos que a viagem do Temperance se encerraria, a chave de ouro fica com “Lost in the Christmas Dream”, uma deslocada, porém certeira música de natal que encerra essa estranha segunda metade do disco.
O quinteto mostrou evolução em direção a uma roupagem própria, uma musicalidade para chamar de sua, e muitos aspectos desse disco merecem aplausos, como a ousadia e sacadas inteligentes como em “Nanook” e “The Culf of Mistery”. Porém, a banda precisa aparar as arestas, podar os galhos para que o ouvinte não seja sobrepujado com tantas informações ao mesmo tempo. Segue a torcida para que a banda continue em plena ascensão e entregando trabalhos cada vez mais originais e inspirados.
Gustavo Maiato





