Ten – “Something Wicked This Way Comes” (2023)
Frontiers Music | Shinigami Records
#MelodicRock #AOR #HardRock
Para fãs de: Bob Catley, Eden’s Curse, Hodson
Nota: 8,5
Depois de anos lançando álbuns sem o mesmo brilho de outrora, o TEN, durante a inatividade causada pela pandemia mundial, criou músicas suficientes para compor dois álbuns: “Here Be Monsters” (2022) e “Something Wicked This Way Comes” (2023).
Mesmo sendo compostos em conjunto, um álbum não é sobra do outro e sim uma nítida demonstração de que ainda há uma luz no fim do túnel para retornar à fase criativa da banda que, nesses últimos álbuns, aproveitou para abandonar um pouco a ideia dos álbuns conceituais.
Dennis Ward (Pink Cream 69, Khymera e tantos outros) mixou e masterizou o álbum enquanto Gary Hughes (vocais: TEN, Solo), responsável também pela produção, é acompanhado musicalmente pelos guitarristas Dann Rosingana (Gary Hughes) e Steve Grocott (Signal Red), Steve McKenna (baixo: Bob Catley, Vaughn, Millenium), Darrel Treece-Birch (teclados: Kiss Of The Gypsy, Scar For Life) e Markus Kullman (bateria: Fox, Hartmann, Sinner, Voodoo Circle).
Antes “falar” sobre a parte musical vale à pena ressaltar uma situação que exemplifica a importância da fase criativa de Gary Hughes para a banda. O título do álbum é emprestado de um dos romances de Ray Bradbury (1920-2012), o grande poeta da ficção científica, mas o monólogo declamado na sua introdução é um trecho de “Macbeth” (Shakespeare) anunciando a chegada de um monstro. Clara referência ao álbum anterior “Here Be Monsters”. Quando usa sua inteligência para o bem, Gary Hughes, adiciona tons, cores e brilho ao TEN.
Se você conhece a banda verá que não foi preciso (re)inventar a roda, mas refinar e (re)descobrir o que ainda os impulsiona. Emoldurado exuberantemente por arranjos imbatíveis o álbum é uma explosão de harmonias e melodias na qual a voz de Hughes comanda um Rock Melódico consistente que nos leva por uma aventura, sobre oportunidades perdidas, controvérsias e arrependimento, carregada de drama e emoção.
Canções como a melódica “The Tidal Wave”, a ameaçadora “Parabellum”, a incrível “The Fire And The Rain”, a cativante “Brave New Lie”, a linha tênue entre a esperança e o abismo de “When Darkness Comes” e “Look For The Rose”, bombástica e prima distante de “The Name Of The Rose”, além de várias outras, mostram o TEN como sempre deveria ter sido, sem tantos altos e baixos na discografia.
“Something Wicked This Way Comes” é uma experiência melódica mais do que satisfatória para o fã da banda ávido para (re)viver os velhos tempos. Bom demais saber que o TEN ainda é o TEN e não cedeu às fórmulas tão presentes nos dias de hoje. Os fãs podem se tranquilizar, Gary Hughes acertou em cheio!
João Paulo Gomes





