Terrible Old Man – “Fungi from Yuggoth” (2017)

21728015_941744869299131_8120811123487548335_n
Compartilhe

Terrible Old Man – “Fungi from Yuggoth” (2017)
MDD Records/Shop
#HeavyMetal

Para fãs de: Iron MaidenRonnie James DioIced EarthArmored SaintQueensrÿcheH. P. Lovecraft

Nota: 9,5

Meses antes da descoberta oficial de Plutão — 18 de fevereiro de 1930 —, H.P. Lovecraft concebeu Yuggoth, um pequeno planeta, mais distante do sol que Netuno e terra natal de uma raça de terríveis criaturas capazes de perambular por todo o sistema solar, os fungos. Foi nesse clássico do terror cósmico que o Terrible Old Man buscou inspiração para seu segundo álbum: todas as músicas de “Fungi from Yuggoth” são nomeadas a partir de sonetos presentes na obra de Lovecraft. Aliás, o próprio nome da banda vem de um conto do escritor estadunidense, o curtinho, porém polêmico “O terrível ancião”.

Vamos combinar que não é de hoje que o rock, em especial o metal, toma emprestado o universo Lovecraftiano. Só o Metallica já fez isso algumas vezes — “The Call of Ktulu” e “The Thing That Should Not Be” são os exemplos que me ocorrem no momento —, mas Mercyful Fate (as duas partes de “The Mad Arab”), Cradle of Filth (“Cthulhu Dawn”) e até mesmo o Arctic Monkeys (“You’re So Dark”) já dobraram os joelhos para o mestre. Mas é preciso dizer que estamos diante de algo diferenciado, beirando o cult, só que sem pretensão de permanecer restrito a uma autoproclamada esfera superior; afinal de contas, isto aqui é heavy metal.

A começar pela capa, uma das mais bonitas e artísticas que você verá em 2017, “Fungi from Yuggoth” representa um salto de qualidade em relação ao antecessor, o abarrotado “Cosmic Poems”. Tudo aqui consegue ser incomparavelmente melhor e, em essência, obrigatório; canções mais bem-amarradas, com um foco irresistível nos refrães; gravação fazendo jus ao talento do quinteto alemão e o que eu considero um diferencial nos discos que se propõem a contar a história que for: a capacidade de capturar nosso pensamento, transformando o que seria uma simples audição de quarenta minutos em um passeio por um universo fantástico e medonho.

“The Book” e “The Pursuit”, dobradinha de abertura, soam como faixas-irmãs que alternam momentos de pancadaria desenfreada com calmaria perturbadora. Em “The Key” uma abordagem comercial viável e inesperada vem à tona; a finada Planet Metal não pensaria duas vezes antes de incluí-la em uma de suas saudosas coletâneas. “Homecoming” e “Zaman’s Hill” exibem forte influência de Queensrÿche — o vocal de Angstrom até que lembra o registro grave de Todd La Torre — enquanto “The Lamp” soa como algo que o Iced Earth poderia ter escrito. A serenidade dita o ritmo na reta final com “The Pidgeon Flyers”.

Faltando 26 sonetos a serem contemplados, é bem capaz que “Fungi from Yuggoth” tenha continuação (ou continuações). É o certo, é o justo, é o que quero. Ouça e junte-se ao coro. O pai não erra.

Marcelo Vieira

Compartilhe
Assuntos

Veja também