The Exploited – “F*** The System” (2003) (Relançamento 2025)

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The Exploited – “F*** The System” (2003)
(Relançamento 2025)

Nuclear Blast Records | Shinigami Records
#HardcorePunk #Crossover #StreetPunk

Para fãs de: GBH, Discharge, Broken Bones, D.R.I., Suicidal Tendencies

Texto por Johnny Z.

Nota: 8,5

Com uma carreira repleta de escândalos e várias passagens de ‘quase morte’ de seu líder Wattie Buchan anos depois, o The Exploited lançou, em 2003, um dos discos mais intensos e viscerais de sua trajetória F*** The System mantém intacta a fúria que consagrou os escoceses no cenário punk, mas com uma sonoridade mais moderna e limpa, sem perder o peso, a ambiência caótica e a brutalidade que sempre foram sua marca registrada.

A abertura já deixa claro o que vem pela frente: riffs que soam como uma surra com um taco de beisebol cravejado de pregos, bateria veloz como um trator desgovernado e o vocal rasgado e cáustico de Wattie cuspindo ódio contra governos, corporações e toda a hipocrisia social. As letras permanecem simples e diretas, mas carregadas de raiva e sarcasmo — um verdadeiro manifesto contra qualquer forma de controle. O título F*** The System não é apenas uma provocação: é o resumo da filosofia de todo o álbum.

Musicalmente, o disco traz uma fusão entre o punk hardcore e pitadas boas de thrash metal, algo que a banda já vinha explorando desde Beat The Bastards (1996). A produção é mais polida, o que valoriza o impacto dos instrumentos sem suavizar a agressividade. Faixas como “Never Sell Out”, “Chaos Is My Life” e a faixa-título são verdadeiros hinos de resistência, feitos para o mosh pit e para gritar até perder a voz ou até mesmo dar uma bela botinada nos mimizentos de hoje (risos). Há também momentos em que o grupo desacelera ligeiramente, mas sempre mantendo o clima de urgência e revolta.

O vocal de Wattie continua sendo o centro gravitacional do The Exploited. Sua interpretação é crua, quase descontrolada, e transmite autenticidade mesmo quando as composições não se aventuram por caminhos novos. As guitarras de Robbie Davidson são afiadas, os solos breves, simples, mas funcionais, e a cozinha formada por Irish (baixo) e Wullie Buchan (bateria) segura o ritmo com firmeza e fúria.

Do ponto de vista temático, F*** The System é um grito contra tudo o que aprisiona — a política, a mídia, as guerras, a alienação. É um álbum feito em um momento de tensão global, poucos anos após o 11 de Setembro e no auge da invasão ao Iraque, o que reforça o caráter de protesto e inconformismo que sempre acompanhou a banda. Só fico pensando o que a galerinha de hoje, cheia de frescura e militante – ambos os lados -, falaria sobre essas letras. Bom, dane-se, não me importo (risos).

Me recordo que recepção ao álbum foi mista, mas respeitosa. Muitos elogiaram a vitalidade da banda mesmo após décadas de estrada e reconheceram a consistência do material; outros acharam que o grupo não trouxe grandes inovações em relação ao passado. Mas, vamos lá: é Punk Rock/Hardcore/Crossover, precisa disso???

De todo modo, é um trabalho sólido, que reafirma o espírito indomável dos escoceses e mostra que Wattie e companhia ainda sabiam canalizar raiva em forma de música com uma energia quase juvenil.

Um detalhe especial para o público brasileiro é o relançamento recente do álbum pela Shinigami Records. Essa nova edição em CD digipak vem com bônus irresistíveis: quatro faixas inéditas gravadas em 1987, período do clássico Death Before Dishonour. O resgate desse material histórico acrescenta valor à reedição e permite ao ouvinte revisitar uma das fases mais icônicas do The Exploited. Vale a pena buscar essa versão — uma verdadeira ponte entre duas eras de pura fúria punk.

Fuck The System pode não ser o disco mais inovador do The Exploited, mas é, sem dúvida, um dos mais sinceros, brutos e caóticos. Ele captura a essência do punk como atitude — mais do que estilo — e prova que, mesmo com o passar dos anos, a fúria pode continuar sendo uma forma legítima de arte. É um registro direto, inflamado e honesto, fiel à máxima que o título propõe: quando o mundo te oprime, o único grito possível é “fuck the system”, seja ele qual for! Se alguém disser que algum álbum ou lançamento da banda é ruim, afaste-se dessa pessoa imediatamente.

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