The Mist – “The Dark Side of The Soul” (2025)
Alma Mater Records
#ThrashMetal
Para fãs de: Chakal, Sepultura, Mutilator
Texto por Matheus “Mu” Silva
Nota: 8,5
Três anos após o lançamento do EP The Circle of The Crow (2022), e trinta longos anos após seu último disco de estúdio, Gottverlassen (1995), enfim o The Mist lançou seu quarto álbum de inéditas, The Dark Side of The Soul (2025), via Alma Mater Records. Um dos nomes mais antigos e cultuados do Thrash Metal nacional, na ativa desde 1989, a banda, capitaneada pelo vocalista e único membro original, Vladmir Korg, foi reativada em 2018 após um hiato de mais de 20 anos, e finalmente o trabalho da atual formação foi coroado com um material que contribui para a manutenção de seu legado histórico. Recentemente tive a oportunidade de ver o The Mist ao vivo, e os novos integrantes deram um novo ar à banda, o que gerou uma expectativa ainda maior por um novo trabalho de estúdio.
“The Curse of Life” começa de forma totalmente avassaladora, com os dois pés na porta, entregando um Thrash Metal vigoroso, veloz e intenso, mesclando trechos melódicos de guitarra e até mesmo blast beats, sendo um ótimo cartão de visitas para o que está por vir. Seguindo com “(Embryo) – Anatomy of The Soul”, a música exala uma influência do Kreator atual, porém com o vocal mais cavernoso de Korg, mantendo a pegada intensa do disco. “(Cuore) – The Dark Side of The Soul”, novamente trazendo blast beats — desta vez mais presentes —, mostra uma bem-vinda faceta mais extrema para a banda. Mesmo com uma introdução um tanto quanto pouco funcional, o andamento da música vai melhorando ao longo da audição. “(Brain) – Geppetto’s Song” já cai em um Thrash mais convencional, assim como “(Liver) – Killing My Imaginary Friends”, porém esta consegue sustentar uma pegada mais violenta e intensa, sendo facilmente uma das melhores do álbum — Thrash com T maiúsculo.
A segunda metade do disco não foge muito do que foi apresentado até o momento, mas traz algumas passagens interessantes entre as músicas. “(Lungs) – Death Is Alive Inside Me” apresenta um trabalho mais melódico e bem construído, aliando grooves pesados a uma levada mais marcante nos refrões. “(Face) – Name + Number = Number” é uma das faixas mais diversificadas e completas do disco. Já as duas últimas, “(Bones) – Lesson Lived, Lesson Learned” e a derradeira “(Death) – Return to Sender”, são mais lineares, sem agregar muito ao resultado final. Não são faixas ruins, mas acabam soando um pouco como “mais do mesmo” na reta final.
The Dark Side of The Soul mostra um The Mist revigorado, fazendo jus ao estilo que o consagrou. A atual formação não só agregou bastante à musicalidade da banda, como também entregou um grande trabalho. Foi, sem dúvida, um dos melhores discos lançados no ano passado e que traz de volta à vida uma das bandas mais importantes do cenário nacional. Mesmo soando um tanto repetitivo em alguns momentos, o disco ainda é extremamente funcional como um todo. Um ótimo álbum de uma banda precursora do gênero em nosso país.





