
The River – “Vessels Into White Tides” (2019)
Nine Records
#DoomMetal
Para fãs de: 40 Watt Sun, SubRosa, Darkher, Left Hand Solution
Nota: 10
Apesar de muitos interpretarem o Doom Metal como um gênero estagnado no tempo, fadado a repetição e preso a releituras do passado, não é bem assim que o mesmo se revela e se sustenta, na realidade, o gênero vive por explorar e agregar elementos alheios a sua tradição, usando e abusando de sua permitida versatilidade para criar novos formatos, novas visões e texturas, gerando por vezes, novos subgêneros e/ou, mutações sonoras.
“Vessels Into White Tides” é o mais jovem trabalho do The River, banda inglesa de Doom Metal que teve suas atividades iniciadas em 1999 e é marcado por ser o seu primeiro opus pela gravadora Nine Records e também por ser a estréia da nova e competentíssima vocalista, Jenny Newton.
“Vessels Into White Tides” é, a princípio um trabalho diferenciado, mas não por trazer novidades ou as tão “mais do mesmo”, reinvenções, na verdade ele lança aos ares muitos dos estereótipos típicos do Doom Metal, é melancólico? Sim, mas não a ponto de ser piegas ou demasiadamente glicosado. Lembrando que nem toda música triste e lenta é Doom Metal e nem todo Doom Metal tem que ser obrigatoriamente triste e lento.
As linhas escolhidas pela banda são sutis, ainda que pesadas e fortes, as faixas se apresentam e vão se desenvolvendo como suítes – cada qual com suas próprias características, assinaturas emotivas e ápices: “Vessels” e “Into White” se somadas passam dos 26 minutos, mas não tome esse tempo por algo entediante, pois são preciosos e delicados minutos, preenchidos com texturas que capturam a atenção.
“Passing”, a quarta suíte, é uma sublime e viciante prova de como a entrada de Jenny Newton fez bem a banda, ela possui uma voz formidável, calma, mas forte e distintiva, sua interpretação é personalíssima, marcante e ressalta ainda mais o caráter intimista e confessional do trabalho.
Há quem acredite que nos pequenos frascos estão os mais mortais venenos e os mais raros perfumes, por essa razão tive que pular a terceira composição, “Open”, que a meu ver, é a absoluta e rara fragrância de “Vessels Into White Tides” – a sublime entre as mais sublimes, não ouví-la é um pecado contra os ouvidos, no caso, os meus já estão salvos. (Risos).
“Tides”, o derradeiro fôlego do disco nos convida ao ofício do pensar, um singelo instrumental que mais se parece com uma poesia, uma poesia sonora tão completa e bela que toca cada canto oculto da alma, mesmo sem utilizar uma palavra sequer.
“Vessels Into White Tides” pode ser jovem demais para já ser tomado por um clássico, mas sua beleza é tão rara e verdadeira que seria uma injustiça não tomá-lo por um, sim, ele é um clássico, a sensibilidade em plena definição.
Fábio Miloch (Colaborador)





