Carcass – “Torn Arteries” (2021)

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Carcass“Torn Arteries” (2021)
Nuclear Blast | Shinigami Records
#DeathMetal #GoreGrind #MelodicDeathMetal

Para fãs de: At The Gates, Entombed, Napalm Death

Nota: 9,0

O Carcass sempre foi uma das minhas bandas favoritas. Comecei a ouvir a banda pelo álbum Heartwork (1994) e assistia sempre o clipe da faixa-título e “No Love Lost”. Sempre foi um som que chamava a atenção por ter os toques do metal extremo com a melodia em seus solos mais que inspirados. Depois, ao conhecer a fase mais gore, me tornei fã de tudo que a banda fazia (a compra do primeiro disco da banda em vinil foi uma realização), e hoje poder ouvir “Torn Arteries”, o sétimo álbum de estúdio da banda, é mais do que uma honra.

Deixando a parte do fã de lado, esse pode ser considerado um dos melhores álbuns da fase “moderna” da banda. A produção e gravação do disco se dividiu entre o Studio Gröndahl, na Suécia, com David Castillo e no The Stationhouse, na Inglaterra, com James Atkinson e mesmo tendo levado aproximadamente um ano, é possível notar que o trabalho feito é de ótima qualidade, ponto esse que já está marcado na carreira da banda e em seus últimos lançamentos, e a vontade de apertar o repeat é instantânea após o fim da última faixa.

É até difícil destacar as melhores músicas, já que o trabalho todo é incrível e todas elas têm seu momento de destaque, mas a faixa-título é uma pedrada, entregando o mais pesado e cruel Death Metal que os fãs do gênero esperam da banda. Cheia de blast beats, os vocais de Jeff Walker soando mais doentios do que nunca e as guitarras de Bill Steer e Tom Draper despejando riffs e solos fazem dessa uma ótima forma de se abrir um disco.

“Eleanor Rigor Mortis” tem um começo com uma pegada de Thrash Metal e cai em um andamento mais cadenciado, parecido com a já citada “No Love Lost”, e finaliza com um solo frenético embalando o ritmo Thrash novamente.

“Flesh Ripping Sonic Torment Limited” além de ser um ótimo nome para uma faixa, é a mais longa do disco com mais de 9 minutos, mas que passam sem nos darmos conta de que já terminou, tamanha a qualidade e envolvimento que a banda nos proporciona. Ela alterna entre o grind e o melódico e tem um solo com uma pegada blues que encaixou perfeitamente. “Kelly’s Meat Emporiun”, que saiu como single, retoma a brutalidade Death/Grind da banda e apresenta mais uma faixa com blast beats feitos para entoar o headbanging, trabalho esse feito com qualidade pelo baterista Daniel Wilding, que se destaca no álbum todo.

A capa do álbum lembra as fotografias grotescas que aparecem nas capas de álbuns clássicos do Carcass, como “Reek of Putrefaction” e “Symphonies of Sickness”. O artista Zbigniew Bielak viajou de sua casa do leme para trazer um conjunto de fotos mostrando vegetais em forma de coração, apodrecendo com o tempo em um prato branco. Esta forma de arte foi influenciada pelo japonês Kusôzu, que significa “pintura das nove fases de um cadáver em decomposição”. Encaixe mais do que perfeito.

Mais uma vez é importante reforçar que todas as faixas são ótimas, e que a audição completa é mais do que recomendável. Após 8 anos de “Surgical Steel” (2013), o Carcass mostra porque é uma das bandas mais emblemáticas do metal extremo e que continua com a mesma energia desde seus primeiros lançamentos.

Lucas David

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