Tyketto – “Don’t Come Easy” (1991)

Tyketto
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Tyketto – “Don’t Come Easy” (1991)
Geffen Records
#HardRock, #AOR, #MelodicRock

Para fãs de: Bon Jovi, Hurricane, Waysted, Giant, Danger Danger, Survivor

Nota: 10

Às vezes, rever um álbum que se confunde com a sua própria essência, pode fazer com que as camadas extras de significado mascarem a real qualidade dele. Felizmente isso não acontece aqui. Então, vamos lá!

O ano de 1991 trouxe diversos acontecimentos na música (“Achtung Baby” do U2, “Ten” do Pearl Jam, “Nervermind” do Nirvana, “Black Album” do Metallica, perdemos Freddie Mercury e Eric Carr de uma tacada só), mas um não teve o merecido reconhecimento: o lançamento de “Don’t Come Easy” do Tyketto (nome derivado de uma grafitagem nos muros de Nova Iorque).

Liderada pelo competentíssimo e habilidoso vocalista, Danny Vaughn (Waysted), que é capaz de fazer uma canção ser maior do que realmente é, a banda conta ainda com a guitarra de Brooke St. James (Moxy Roxx, guitarras, teclados e voz) e com a mais do que eficiente “cozinha” de Michael Clayton (Dreamer, bateria e voz) e Jimi Kennedy (baixo e voz). Uma banda é tão boa quanto a soma de suas partes.

O álbum deveria ter sido lançado em 1990 (e aí a história poderia ser diferente), mas a Geffen preferiu segurá-lo até 21 de Abril de 1991 espremendo-o entre outros lançamentos (The Throbs, Junkyard, Tesla e Warrior Soul) e poucas semanas antes de “Use Your Illusion” do Guns & Roses e “Nevermind” do Nirvana. Com isso o álbum perdeu quase toda a sua publicidade.

Apesar dos problemas, “Don’t Come Easy” (produzido por Richie Zito (The Cult, The Motels, Berlin, White Lion, Heart, Poison, Bad English)) resistiu ao teste do tempo e se tornou, não apenas um incrível álbum de estreia, mas um épico indelével na história do “Hard Rock”.

Hinos como “Forever Young” (a canção que define uma geração! Existem riffs fodas, existem riffs inesquecíveis e existe o riff de “Forever Young”! A “Livin’ On A Prayer” ou a “Youth Gone Wild” do “Tyketto”), “Wings” (melodicamente perfeita e arrepiantemente avassaladora) e “Standing Alone” (uma das baladas mais perfeitas do estilo. Deslumbrante!), faziam a banda sonoramente se destacar em substância, musicalidade e habilidade.

Vaughn falou sobre “Lay Your Body Down”: “queria escrever músicas que levantassem as pessoas, que fossem enormes em estádios, que fizessem as pessoas se mexerem” e Clayton completou: “queria escrever uma canção que fizesse as mulheres tirarem a roupa!”. Inspirada nos clubes de strip-tease a música tem um “groove” espetacular!

Impressionante como quanto mais você se aprofunda, mais difícil é escapar: “Seasons” (a essência da banda: o violão de Vaughn e a guitarra de St. James), “Burning Down Inside” (um dos grandes “slow-burner” da época. Maravilhosamente arrogante!), “Sail Away” (autobiografia perfeita. Empolgante e cativante!), “Walk On Fire” (St. James brilha!), “Nothing But Love” (com solo de cítara) e “Strip Me Down” (obsceno “blues funkeado” sensualmente revestido de “rock”).

Um dos motivos deste álbum ser tão incrível é que cada música (excepcionalmente produzida e fantasticamente escrita) possui identidade e vida própria.

Se ainda não o conhece, curve-se diante de um dos melhores álbuns de “Hard Rock”! Se o conhece, revisite-o nesse aniversário de trinta anos. Mágico!

João Paulo Gomes

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