Watain – “The Agony & Ecstasy of Watain” (2022)

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Watain“The Agony & Ecstasy of Watain” (2022)
Nuclear Blast Records | Shinigami Records
#BlackMetal

Para fãs de: Dissection, Marduk, Mayhem, Necrophobic

Nota: 9,5

Muitas bandas despontam do underground com seus trabalhos que, de alguma forma, mudam ou reformulam certos aspectos da música. O Watain é uma dessas bandas que com seu quinto álbum, “The Wild Hunt” mostrou que o Black Metal pode, e deve ir além daquele som cru e ríspido, assumindo outras formas e tomando outros ritmos além da velocidade desenfreada. Com o álbum seguinte, “Trident Wolf Eclipse” a banda retornou a agressividade de antes, mas com alguns toques dessa mudança ainda presentes, e agora com “The Agony & Ecstasy of Watain” a banda mostra o porquê saiu do underground e ganhou o mundo do metal extremo.

O álbum mostra um balanço entre a agressividade e as passagens mais progressivas dos álbuns anteriores, resultando em um álbum que a banda nunca havia feito antes, e mesmo assim soando exatamente como o Watain que conhecemos. Em seu primeiro disco com a Nuclear Blast, “The Agony…” apresenta o melhor da banda, com os vocais de Erik Danielsson soando mais agressivos e brutais do que nunca e com o instrumental feito por Pelle Forsberg (guitarra) e pelos músicos convidados Hampus Eriksson (guitarra), Emil Svensson (bateria) e Alvaro Lillo (baixo) mostrando que o Black Metal feito pela banda alcançou novos patamares.

A faixa de abertura, “Ecstasies in Night Infinite”, já explode nos ouvidos com a bateria e a guitarra formando uma parede sonora tão forte que fica impossível não bangear junto com o ritmo insano feito, contando com pequenos solos espalhados pela musica. “The Howling” é outra pedrada que tem um andamento mais lento que a faixa anterior, mas que em determinados momentos assume a mesma velocidade e insanidade das canções de Black Metal mais clássicas.

“Serimosa” é uma das melhores faixas do disco, sendo cadenciada, mas sem deixar de lado a agressividade, mostrando o lado mais progressivo da banda e destacando novamente os vocais de Erik, que entrega uma performance excelente, além de um solo de guitarra igualmente incrível. A banda mostra a influência do Dissection na faixa “Black Cunt” que alterna entre a velocidade e a melodia encaixada nos momentos exatos. Já em “Leper’s Grace” mostra novamente um Black Metal com toques de Thrash sem misericórdia, onde o mesmo acontece na faixa “Funeral Winter” (mais Black Metal que isso, impossível).

“Septerion” fecha o álbum com as guitarras em tremlo características da banda, mas com um andamento mais lento e cadenciado, mostrando um dos melhores trabalhos de P. Forsberg com sua guitarra, se destacando muito na mixagem. Além disso, esta é a primeira vez que a banda gravou ‘in loco’ com uma formação completa que, juntamente com as excepcionais habilidades de produção do colaborador de longa data Tore Stjerna, resultaram em um álbum do Watain que, mesmo para seus próprios padrões, soa mais sombrio e mais maligno do que qualquer coisa que o precedeu. Claro, eles nunca foram de fugir do ocultismo – a banda é, por sua própria admissão, satanistas teístas – mas “The Agony & Ecstasy” é um corte acima, uma carta de amor ao Lorde das Trevas que dura 50 minutos e não decepciona.

Lucas David

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