
Título: Whitesnake: A Fantástica Jornada de David Coverdale
Autor: Martin Popoff
Tradução: Rúben Vieira e Marcelo Vieira
Editora: Estética Torta
Páginas: 312
Ano: 2020
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Quando falamos em bandas de Hard Rock, principalmente aquelas que explodiram nos anos 80, eu duvido que o nome de David Coverdale e Whitesnake não vêm a sua mente em questão de parcos segundos.
David Coverdale era um Zé Ninguém quando acabou caindo de paraquedas ainda muito jovem numa das maiores bandas de Rock/Classic Rock do mundo, o Deep Purple, de 1973 a 1976, substituindo simplesmente um dos também maiores nomes do estilo, Ian Gillan. Gravou álbuns antológicos, pena que hoje são ignorados pela atual formação do Deep Purple, que conta com Ian Gillan, por razões óbvias. Ou seria nem tão óbvias, já que nem Ian Gillan e nem David Coverdale conseguiriam mais cantar como foi gravado naquelas esplendidas obras. David, com o Whitesnake, provou que não com o álbum “The Purple Album”, mas ficou longe de passar vergonha como muitos insistem em dizer por aí. Mas sua carreira com o Whitesnake foi e ainda é tão gloriosa e gigantesca que, eu minha opinião, engoliu tudo que o Deep Purple fez pós sua saída, mesmo que “Perfect Strangers” (1984) tenha sido primoroso.
Enfim, esse não vêm ao caso nesta resenha, pois aqui falarei exclusivamente de Whitesnake: A Fantástica Jornada de David Coverdale, escrito pelo renomado escritor e jornalista Martin Popoff e lançada no mercado nacional pela Editora Estética Torta.
O livro conta com bons detalhes desde sua adolescência, primeiros trabalhos, bandas de bar, sua entrada no Deep Purple depois de enviar uma fita completamente bêbado como teste, as turnês com a banda, conflitos e ciuminhos camuflados em amizade dentro das vozes da banda (Glenn Hughes e David), fim precoce das duas fases MKIII e MKIV, o início meio bagunçado e conturbado de sua carreira solo e posterior criação do monstro Whitesnake. Tudo contado através de depoimentos de antigos membros e parceiros de bandas, empresários, e até mesmo o próprio David Coverdale. Nada foi poupado, mesmo que tudo contado de uma visão praticamente mais “em cima do muro” em certas ocasiões. Uma das coisas que mostra claramente é a visão de David sobre o que ele queria para sua banda, era “isso” ou “nada feito”, a ultima palavra era a dele sempre.
Vários detalhes das gravações de “Burn”, “Stormbringer” e “Come Taste The Band” foram incluídos, alguns perrengues de Ritchie Blackmore com o mundo, histórias com o (também) fantástico Tommy Bolan, mas ao meu ver propositalmente um pouco jogados e sem muita profundidade (não disse poucos detalhes!), pois o foco do livro é mais contar a sua ascensão estrondosa com o Whitesnake.
Confesso que sou um grande fã de TUDO que David Coverdale colocou a mão, ou melhor, sua voz sexy e potente, mas a fase de “Slide It In” (1984) em diante é a que mais me fascina, e ao meu ver, daí em diante, foi sua explosão meteórica, culminando em nos brilhantes “Whitesnake” (1987) e “Slip Of The Tongue” (1989). A fase mais bluesy, pré “Slide It In” era também sensacional e rica, mas era muito – ao meu ver – reta, sem muita dimensão, algo que não tinha como crescer mais que aquilo, o que talvez tenha sido o motivo de toda a mudança que veio depois. Leia o livro e entenderá muito bem (risos).
Narrativa bem estruturada através de entrevistas e depoimentos com muitas pessoas que conviveram diariamente com David por décadas a fio, músicos, empresários, executivos de gravadoras que só pensavam em cifrões, jornalistas etc, todos querendo dar ‘pitaco’ e tirar uma casquinha, já que a banda estava na boca do povo por conta da MTV. Em certos momentos, são tantos comentários que a gente se perde um pouco em saber que comentou o quê, mas nada como uma relida nos parágrafos anteriores para pegar o fio da meada novamente.
Detalhes e curiosidades nunca antes contados, cada mudança de formação, cada lançamento de sua extensa discografia, coisas que gostaria de ter feito de outra forma, capas de álbuns que foram erros, entrada de músicos complicados por conta de relacionamento, elogios emotivos a outros – principalmente Jon Lord que nos deixou em 2012 -, enfim, tudo contado de forma nua e crua, e que – da forma como foram vividos – serviram para quê o “monstro” fosse criado.
Infelizmente, o livro conta com vivacidade e ímpeto SOMENTE até o álbum “Slip Of The Tongue”, de 1989, mas alguns poucos capítulos passeiam bem resumidamente pelos fatos das fases da banda de “Restless & Heart” (1997) até “Forevermore” (2011), o que me desapontou um pouco, pois eu adoraria saber mais sobre aos hiatos e retomadas da banda até os dias de hoje. Quem sabe uma continuação não seja feita? Vamos torcer!
Uma das maiores e melhores vozes do Hard Rock tem nome e se chama DAVID COVERDALE! Mesmo que hoje, com seus 70 anos de idade, não alcance mais – obviamente – os tons de sua juventude, a sua voz aveludada continua dando arrepios até em marmanjos barbados! Assuma isso!
Leitura obrigatória para aqueles que, assim como eu, viveram intensamente os anos 80, dançaram em bailinhos de garagem, namoraram, casaram e continuam procriando ao som de Whitesnake depois de mais de quatro décadas. Acha que não? Ponha “This Is Love” (só um exemplo) aí para a sua patroa e veja o que acontece a noite (risos)!
Johnny Z.





