Zombie Cookbook – “Horroris Causa” (2023)
Black Hole Productions
#DeathMetal #ThrashMetal #Crossover
Para fãs de: Obituary, Cannibal Corpse, Ghoul, Entombed, Bloodbath, Exhumed, Macabre
Texto por Johnny Z.
Nota: 9,0
Os catarinenses do Zombie Cookbook estão na batalha por um espaço no metal brasileiro há 13 anos, e desde o lançamento do seu primeiro EP, “Cinethrash” (2010), ‘rotulam’ sua sonoridade agressiva e cativante como Dead Metal. Essa categorização engloba as partes mais brutais do Thrash Metal, Death Metal e Grindcore, tudo permeado por temáticas Splatter, vocais urrados no melhor estilo Cannibal Corpse/Obituary e influências de filmes B de horror.
Seu primeiro álbum, “Outside The Grave” (2012), representou uma significativa evolução em relação ao EP, apresentando um som mais orientado para o Death Metal brutal, chegando até ao Grindcore. Após algumas mudanças de formação, muitos singles e EPs, e com dedicação notável por parte de Clandestine (vocal), Dismembered e Consumed (guitarras), Thombstoned (baixo) e Leprous (bateria) – que, vale ressaltar, utilizam máscaras de zumbis e nomes teatrais para manter o aspecto visual em destaque –, a banda lançou seu segundo álbum, “Horroris Causa”. O título é um trocadilho infame com “Honoris Causa”, expressão em latim usada como título honorífico e que, neste contexto, significa “por causa do horror”.
“Horroris Causa” apresenta 10 faixas de Death Metal bem elaborado, com influências de Thrash Metal e Crossover, deixando o Grindcore em segundo plano. O álbum possui uma atmosfera avassaladora, caótica e brutal, envolvida por temas inspirados em terror cósmico, como Lovecraft, Dark Fantasy e Diablo. Embora não seja um álbum conceitual, algumas músicas compartilham facetas de um tema central, centrando-se principalmente em letras sobre magia, ocultismo e necromancia.
Na versão física do CD, a banda incluiu – com bastante esmero – um encarte extra em preto e branco, assemelhando-se a um almanaque antigo de terror, dividido em quatro partes: Plasmo (sangue), Axis (ossos articulações), Sensorio (magia) e Carnis (carne) – elementos para conjurar um morto-vivo, sugerindo uma transição da imagem (dos músicos) de zumbis para necromantes. Vale ressaltar que, no álbum, esses elementos convergem para criar uma criatura maléfica e repulsiva, interpretada como o próprio Death Metal que corre nas veias dos músicos – uma abordagem poética e intrigante, não é mesmo? (risos)
A abordagem musical do álbum destaca uma fusão de Splatter Death/Thrash com Hardcore e Crossover, mantendo coros típicos do gênero e uma forte influência do Death Metal sueco, notadamente presente na timbragem das guitarras. O álbum resgata o estilo desse Death Metal Sueco do final dos anos 2000, com uma originalidade marcante e uma abordagem brasileira “porra louca” e “arranca toco” (você, brasileiro, vai entender ao escutar o disco).
Para os apreciadores dessa mistura cáustica e malévola, com vocais que parecem regurgitar nos ouvidos e uma atmosfera que exala o cheiro asqueroso de cadáver, “Horroris Causa” promete ser uma experiência gratificante – ou seria horripilante? Depende do gosto o freguês. Destaques como “Formless… Twisted… Shapeless”, que atrai os fãs puristas do Death Metal dos anos 90, “Beauty In The Eyes Of The Dead”, com nuances de Cannibal Corpse da fase Chris Barnes, e “Hounds Of Hell”, uma brilhante mistura de Obituary e Napalm Death com toques de Dead Kennedys, contribuem para a excelência do álbum. “The Darkest Creepiest Night”, com seu andamento frenético e quebradeira de tirar o fôlego, destaca-se como uma das melhores faixas do trabalho.
Em resumo, todas as músicas do álbum merecem audição, solidificando “Horroris Causa” como um dos melhores lançamentos do ano, na minha opinião.





