
Infestatio – “Unleash the End” (2020)
Independente
#ThrashMetal, #ProgThrashMetal, #HeavyMetal
Para fãs de: Sadus, Death, Coroner
Nota: 8,5
Este belo álbum de estreia deste duo paulista de Thrash Metal tem uma ótima produção e foi gravado, mixado e masterizado no Wink Estúdio em São Paulo/SP. A banda, que teve sua origem no início deste milênio, era conhecida inicialmente pelo nome de Graveyard Disciples; somente mais tarde teve seu nome modificado para Infestatio. A banda é formada por Rafael Neves (guitarra/vocal) e Caio Picollotto (bateria), que também acumula as funções de produtor.
“Unleash The End” tem sido bem recebido pela crítica especializada e concorreu como um dos melhores álbuns de 2020, segundo a revista ‘Roadie Crew’. Caio Piccolotto, pela sua performance, foi escolhido como um dos melhores bateristas nacionais. O disco contou com convidados especiais para vozes, guitarras e baixo.
O álbum abre com “Blinded”, que possui ótimos riffs, técnica apurada e bastante raiva. “Mankind demise” é um Thrash rápido, bastante abrilhantado pela participação de Fernanda Lira (ex-Nervosa, atual Crypta). A faixa “Storm Knights” apresenta uma linda introdução. Até os 2 minutos de composição, Rafael Neves não havia vocalizado nada ainda. Pensei estar diante de uma composição instrumental a princípio, mas não. Minha audição percebeu, além da fúria vocal, riffs contagiantes e uma bateria bastante precisa. A música “Requiem” conta com um excelente trabalho de Rodrigo Quiñones solando e merece destaque por representa a luta contra a depressão. Nos tempos difíceis em que vivemos, esta faixa demonstra como a arte pode servir de alerta para este importante tema. “Agony” é bem diferente do restante do álbum. Começa cadenciada e, sem pedir licença, inicia sua metralhadora Old School. A incrível participação de Danni Azevedo tirou a banda da zona de conforto e trouxe elementos de Heavy Metal tradicional e Progressivo para a faixa. Ainda na primeira metade da música, Gabriel Winter traz muito feeling em seu solo. A banda ousou bastante em “Agony” e, no meu entender, acertou. De certa forma, comparo ao arrojo do Sepultura em “Fear; Pain; Chaos; Suffering” do álbum “Quadra”. Não pela similaridade musical, mas, pela coragem de transcender no estilo que caracteriza as duas bandas. Em “Jeff”, há uma homenagem ao grande Jeff Hanneman, guitarrista do Slayer falecido em 2013, que sempre foi grande influência para a banda. Na segunda metade da música, os riffs cavalares de Neves formam uma massa ultra homogênea com os de pedais duplos de Caio Picollotto.
É perceptível que a qualidade técnica da banda e a produção tiveram franca evolução. É só comparar a faixa “Shadowless” que está presente, tanto em “Unleash the End”, quanto no EP ”F.Y.A.”, lançado em 2013. Entretanto, a produção no álbum está tão caprichada que parece ter limpado aquela “sujeira” da guitarra que tanto apreciamos. Também é perceptível a qualidade técnica do contrabaixista. Cristiano Dafré é realmente bom no que faz. Contudo, acredito que o instrumento poderia proporcionar uma sonoridade mais agressiva e mais pulsante neste registro. As influências de Sadus, principalmente de “A Vision of Misery” de 1992, e de Coroner, em seus últimos álbuns, são perfeitamente notáveis. A banda Death também inspira, não somente pelos vocais, mas também pelas constantes mudanças de andamento nas melodias presentes nas faixas.
Ouça sem medo!
André Nasser





