
The Cross – “Still Falling” (2019)
Tales From the Pit Records | The Metalvox Recs & Distro | Violent Records | Black Order Productions | Totem Records | Eclipsys Lunarys Productions
#DoomMetal
Para fãs de: Graveyard Dirt, Samael (antigo), Indesinence, Mourning Beloveth
Nota: 9,0
Dissertar sobre o The Cross é indubitavelmente dissertar sobre os primórdios, voltar olhos (e ouvidos), ao gênesis do Doom Metal brasileiro, um retorno às galerias subterrâneas, de quando o gênero ainda engatinhava em nosso território e ganhava seus primeiros e seminais representantes.
O The Cross está entre esses medalhões, tendo sido fundado em Salvador (BA), na aurora dos anos 90 por Eduardo “Slayer”, em 1992 a banda lança uma demo ensaio e em 1993, é a vez da histórica e emblemática demo, “The Fall”, que recebeu excelente “feedback” tanto em solo pátrio, como também nos EUA e França, sendo objeto de culto pelos fãs até os dias atuais.
Não conseguindo manter uma formação fixa, a banda opta por encerrar suas atividades em 1998, quando prestes a gravar seu álbum completo de estreia, “The Plague Of The Lost River”. Em 2015 a banda regressa com força total com o EP, “Flames Through Priests” e em 2017, finalmente lançam seu primeiro e merecido álbum completo, intitulado, “The Cross”; um registro exuberante em toda sua dimensão, composição e gravação, arte e letras, um obra prima, sem exageros.
“Still Falling”, antes de mais nada, é um presente da banda aos seus fãs, e de forma prismática, a todos os fãs de Metal Extremo (brasileiros ou não), pois trata-se de uma reapresentação da antológica demo supracitada, “The Fall”, agora com uma nova roupagem, muito peso e uma produção estupenda.
As quatro versões ficaram surpreendentes e contam com participação de nomes ilustres da Cena Underground, sendo eles: Camila Carvalho (Eminet Scorn), na macabra introdução, “The Witch’s Last Conjuration”: Lord Vlad (Malefactor), na clássica, “Flames Of Deceit”: Sérgio Baloff (Headhunter D.C.), na melancólica e transcendental, “The Fall” e Alex Habigzang (Dying Suffocation), na troncuda, “Scars Of An Ilusion”. Há ainda, a inclusão de “Unto The Deep”, que originalmente saiu na coletânea, Darkness Sets In Vol. 3, lancada pela Black Order Productions, um deleite aos ouvidos e alma, com o The Cross entregando justamente aquilo que toda alma atormentada espera de um disco de Doom Metal, desespero puro e sem gelo e uma rifferama de dar inveja a muita banda metida a ser Doom nos dias atuais, ouçam e aprendam com o mestres, por favor.
De bônus, as três faixas originais de 1993, que não fazem tanta diferença ao conteúdo, já que as mesmas também saíram como bônus no EP, também já citado, “Flames Through Priests” – aqui servindo apenas dar contraste entre o novo e o antigo.
Um belo presente, um lançamento necessário e uma parte importantíssima da história do Doom Metal nacional, da qual, o The Cross é indissociável.
Fábio Miloch





