Queensrÿche – “The Verdict” (2019)

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Queensrÿche – “The Verdict” (2019)
Century Media Records
#HeavyMetal#ProgressiveMetal

Para fãs de: Crimson GloryFifth AngelFates Warning

Nota: 9,5

O calote dado pela PledgeMusic e o afastamento seguido de debandada do baterista Scott Rockenfield foram dois percalços pelos quais o Queensrÿche passou nos pouco mais de três anos desde o lançamento do ótimo “Condition Hüman”. Agora, com o 15º álbum de estúdio do grupo em mãos, vemos Michael Wilton (guitarra) e Eddie Jackson (baixo), enquanto dupla remanescente dos primórdios, saudando Todd LaTorre como força a ser reconhecida muito além de sua competência vocal digna de um Geoff Tate no auge: aqui, o cantor leva o seu protagonismo para além do microfone, tocando bateria em todas as músicas. Isso sem contar as vezes em que dá uma de porta-voz da banda; posição sempre vulnerável e que requer muito preparo e maturidade.

Como em time que está ganhando não se mexe — exceto quando o seu batera te deixa a ver navios, oops! —, tanto o produtor (Chris “Zeuss” Harris) quanto o estúdio (Uberbeatz, não confundir com Uber Eats, em Washington) de “Condition” foram mantidos. Em matéria de repertório, a abordagem mais metal com uma pegada bem contemporânea acentuada por camadas e mais camadas de vozes e músicas de em média 4 minutos de duração quase nos faz esquecer que estamos ouvindo o novo trabalho dos outrora baluartes do que ficaria conhecido como prog metal.

Muitos elementos que compõem a cartilha do estilo se fazem presentes; Wilton segue dando um tapa na cara daqueles que duvidavam da viabilidade de um Queensrÿche sem Chris DeGarmo, e a impressão que se tem é que Jackson usa fios de alta tensão em seu baixo tamanho o trovejar dos graves no decorrer da audição. Por fim, LaTorre canta com uma urgência que seus pares já não mais possuem, seja pela idade, seja pela falta de tesão em si; o fator “teria sido melhor ir ver o filme do Pelé”, aplicável a tudo nesta vida.

No repertório, destacam-se de imediato “Dark Reverie” — início quase-balada que lá pelas tantas se converte num lamento sofrido a la “The Killing Words” ou “In This Light” — e “Light-Years”, fortíssima candidata ao melhor momento do Rÿche com LaTorre; momento inexplicável em que você apenas sente que todas as peças se encaixam e o resultado é nada menos que uma obra-prima. Mas, como todo disco realmente bom, “The Verdict” cresce, melhora, a cada ouvida. Acredite no pai e torça junto por uma turnê por aqui o quanto antes!

Marcelo Vieira

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