Lock Up
– “Demonization” (2017)
Listenable Records
Nota: 10
Eu não curto me deixar tomar de expectativas acerca de algo, pois na esmagadora maioria das vezes a decepção prevalece, mas a sensação de se deparar com algo que supera as melhores expectativas é indescritível.
O Lock Up já vinha de um recesso de alguns anos após “Necropolis Transparent” (2011), além de boatos até de um possível encerramento nas atividades (que eu particularmente nunca acreditei). Em 2015 já ocorriam rumores de um possível álbum inédito com uma nova formação, contando agora com Kevin Sharp grind (Brutal Truth, Venomous Concept) nos vocais. A partir daí, meu amigo, eu já precisei de barbitúricos pra conseguir dormir.
O quarto” full lenght” dessa debulhadora Grind acaba de ser lançado para o regozijo de toda a nação fã de sua arte. Puta que pariu! “Demonization” é tudo que eu sonhava e mais um pouco. É a síntese mais pura do verdadeiro Grindcore carniceiro. A entrada de Kevin “Cowboy Descalço” Sharp deu um “upgrade” a mais na já infalível sonoridade do quarteto. Aquela veia meio Hardcore/Punk que o finado Brutal Truth exercia tão bem parece ter vindo com Sharp de lambuja, incrementando as composições com uma energia e vitalidade quase palpáveis.
“Demonization” vem dividido em quatorze atos que mais parecem tiros de escopeta de cano serrado na fuça do ouvinte. Um massacre dissonante que impossibilita a fuga para um lugar seguro. Alguns momentos do álbum são a máxima comprovação da supremacia do Lock Up no meio da música desgraçada, tais como “Locust”, que chega a causar momentos de torpor no ouvinte tamanha a insanidade, “Demons Raging”, mais outra marretada aos moldes do Grindcore clássico e “Sunk”, com a banda flertando levemente com o Crust.
“Demonization”, a faixa título, é a única que destoa do restante do álbum por possuir um andamento arrastado, hipnótico, quase Doom, que me lembrou a “Apex Predator” do Napalm Death. Um momento de descanso em meio ao caos, se é que podemos afirmar isso. Todo o elenco envolvido no álbum está derramando sangue, mas o que Nicholas Barker (bateria) está fazendo é algo que desafia a lógica e as leis da física e da anatomia. O gordinho devora a bateria, conduzindo viradas e blast beats de tirar o fôlego. Precisão, “punch” e técnica como nos bons e gloriosos tempos.
“Demonization”, além do indefectível aspecto musical, ainda apresenta o mais belo projeto gráfico da carreira da banda, ostentando uma bela arte que reflete os malefícios das religiões e das guerras por meio da justa posição de várias imagens, dando a real dimensão do problema em apenas uma ilustração.
Como de praxe, deixei-me levar pela empolgação ao discorrer acerca de uma banda da qual sou muito fã, mas não tenho como expressar a magnitude desse disco em apenas duas ou três linhas. Sem querer soar exagerado, mas um novo capítulo do Grindcore acaba de ter início com “Demonization”. O Lock Up já entrou para os anais da música extrema com esse trabalho. Acredite.
Ricardo L. Costa




