David Glen Eisley – “Tattered, Torn and Worn” (2019)

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David Glen Eisley – “Tattered, Torn and Worn” (2019)

Ol’ Boothill Records | CD Baby
#ClassicRock#MelodicHardRock

Para fãs de: Giuffria, Stan BushKip Winger

Nota: 9,5

O tamanho assusta — 73 minutos —, mas a verdade é que “Tattered, Torn and Worn” não é nem de longe cansativo. Tampouco se pode dizer que seu repertório vai perdendo a força progressivamente, o que muito ocorre em álbuns longos, muito por conta de o ouvinte já não estar mais tão na “vibe” da audição.

Na verdade, o novo álbum de David Glen Eisley — lançado quase vinte anos após sua última empreitada solo, o muito bom “Stranger from the Past” (2000) — segue a esteira de “Blood, Guts and Games” (2017), fruto da parceria com o guitarrista Craig Goldy a que muitos entusiastas atribuíram a nomenclatura não oficial de “Giuffria III”. Mais que isso: “Tattered” meio que apara as arestas que impedem que “Blood” seja lembrado e festejado como “Giuffria” (1984) ou “Silk and Steel” (1986).

Não que Eisley nos devesse um pedido de desculpas, mas os equívocos foram tantos em “Blood” — a começar pela produção do tipo descaracterizadora/uniformizante à qual a Frontiers vira e mexe submete seus contratados — que é impossível para quem é fã do cara não sair de alma lavada. Em “Tattered” ouve-se a voz de Eisley in natura: a rouquidão característica, forte carga emocional; sua voz como merece ser ouvida. As letras, então, são de uma riqueza vocabular que só me resta supor que muitos de seus dias de ermitão foram dedicados à leitura de autores clássicos e a uma série de ressignificações pessoais.

Na posição de braço direito de Eisley — posto já ocupado por gente do calibre de Earl Slick, no Dirty White Boy (1988-1991), e Bob Kulick, na hoje em dia icônica “Sweet Victory”, do desenho Bob Esponja — está o multiuso Paul “Clem” Calder, guitarrista que faz as vezes de baixista e ainda coassina a produção. O baixista G.D. Tubbs e o baterista Ron Wilkso completam o escrete.

Destaques são todas — com ressalvas, pois é impossível achar graça na bateria programada de “Tattered and Torn”, por exemplo —, mas as preferidas do pai aqui são “Ain’t No Turning Back (Floatin’ in the Flood)” e seu approach setentista, “Hard to Lose” (um eco severo dos tempos de Giuffria), “Darkside of Sunrise” (excelente trabalho de “Clem”) e “Red Raven Blue”, que na qualidade de trilha sonora para uma perseguição a uma gangue de foras-da-lei, assegura o posto de melhor do play.

Entende-se a partir da leitura do press release que Eisley e Calder já cozinhavam “Tattered” em banho-maria há um bom tempo. Que bom que souberam a hora certa de desligar o fogão. Lugar garantido no meu Top 10 de 2019 — pelo menos até agora!

Marcelo Vieira

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