
Sonata Arctica – “Talviyö” (2019)
Nuclear Blast | Shinigami Records
#PowerMetal, #SymphonicMetal
Para fãs de: Stratovarius, Cain’s Offering, Helloween
Nota: 6,5
Não precisa ser um coach renomado para entender que: “errar é humano, persistir no erro é tolice, e é preciso aprender com os erros”. Ora, o Sonata Arctica veio de um álbum extremamente criticado justamente por desventuras em série cometidas por Tony Kakko e cia: abandono do Power Metal, temas líricos esquisitos, uma sensação de dirigir uma Ferrari com o freio de mão puxado – nenhum músico dando nem 70% do que pode.
Em “Talviyö”, décimo registro dos finlandeses, as músicas que mais chamam atenção foram, justamente, as que fugiram dos erros do passado, como “Demon’s Cage” (ótimos riffs, velocidade razoável, introdução à moda antiga) e a inusitada instrumental “Ismo’s Got Good Readers”, com uma pitada oriental e desfile de virtuosismo, a única que abre um sorriso.
Infelizmente, o resto é um apanhado de canções que não animam. “Message From The Sun”, “Whirlwind” e “Cold” são praticamente uma música só cortada em três, sem nada que marque muito. “Who Failed The Most” tenta agradar com um refrão feito para cantar junto, mas não chega a empolgar tanto. Faltou solos melódicos, riffs velozes, vocais desafiadores, faltou tesão para o disco.
É como se fosse uma mistura do pior do “Unia” (2007) com o pior do “The Ninth Hour” (2016). O pior é constatar que a banda tem sim todo um poço de boas ideias de onde tirar músicas, é só ouvir os poucos exemplos bons do álbum, mas parece que aquela história de “não fazemos mais Power Metal, somos seres de luz evoluídos” colou no quinteto e o resultado é esse aí.
Se quiser voltar a crescer e ganhar notoriedade no cenário mundial, o jeito é apostar mais nas próprias raízes, cujas árvores já são conhecidas as frutas. Não dá para errar mais, é como time grande que cai para segunda divisão e não volta à elite na temporada seguinte. A desconfiança fica muito grande. Operando sem o freio de mão puxado, não tem erro, é sucesso garantido. Mas, se a tônica passar a ser esse experimentalismo, infelizmente estaremos todos sujeitos à sorte. Que o próximo disco traga boas melodias e tudo que consagrou a banda de volta.
Gustavo Maiato





